GUILHERME CUNHA PEREIRA, DA GAZETA DO POVO, BATE NO FÍGADO. JORGE MESSIAS E O STF QUE SE CUIDEM.
- Hatsuo Fukuda

- 15 de abr.
- 3 min de leitura

GUILHERME CUNHA PEREIRA, DA GAZETA DO POVO, É CONTRA JORGE MESSIAS NO STF. O DEBATE MUDOU DE PATAMAR.
Hatsuo Fukuda
Circula nas redes um vídeo do Presidente da Gazeta do Povo, Guilherme Cunha Pereira, tomando posição em relação à indicação de Jorge Messias, Advogado Geral da União, para o Supremo Tribunal Federal. A indicação, pelo presidente Lula, de Messias, como não poderia deixar de ser, gerou polêmica. O governo está otimista, acreditando que ele terá seu nome aprovado pelo Senado. A oposição afia suas garras. Aguardem fortes emoções para os próximos dias.
A grande novidade no discurso de Guilherme Cunha Pereira não é o seu conteúdo. Quem acompanha a Gazeta do Povo conhece seu pensamento conservador, espelhado em suas páginas. Duas coisas chamaram minha atenção no vídeo, um programa semanal da Gazeta do Povo, Opinião na Mesa, apresentado pelo próprio, e veiculado no Youtube, no site do jornal e nas redes sociais.

Primeiro, Guilherme Cunha Pereira revela-se um legítimo filho da Faculdade de Direito (ele estudou na UFPR). Nisto ele é filho de seu pai – Francisco Cunha Pereira Filho foi professor lá – e neto de seu avô – Francisco Cunha Pereira, um dos mais eminentes desembargadores da nossa corte estadual (e um dos fundadores da Faculdade de Direito de Curitiba).
Firme, decidido, mas sóbrio e solidamente argumentativo. Sua lógica impecável denota a grande tradição da lógica jurídica, herança romana, e da lógica filosófica – herança grega. Não fosse ele um editor de jornal seria um grande advogado, ou um mestre da Faculdade de Direito.
Mas chama a atenção que um Publisher venha a público, pessoalmente, manifestar sua opinião em um tema altamente polêmico. O caminho natural seria manifestar sua opinião nas páginas editoriais ou na opinião de colunistas que partilham sua opinião. Trazer a público sua opinião é matéria normalmente afeta a políticos.
Claro que tudo mudou. A imprensa neutra e isenta foi praticamente dizimada. Os veículos tradicionais perderam espaço para os marcadamente partidários. A Fox News e o New York Times talvez sejam os melhores exemplos. Um, declaradamente porta-voz da direita militante; outro, um veículo do ativismo progressista. Ambos sobrevivem, carregando seus respectivos latifúndios de leitores-espectadores-torcedores. Ao se expor, pessoalmente, Guilherme Cunha Pereira navega os novos tempos da mídia.

Guilherme Cunha Pereira pretende iniciar uma carreira política? Será nosso Cidadão Kane curitibano? Ao contrário dos influencers – que se dizem de direita, mas não passam de papagaios em sua sesquipedal ignorância - que têm pautado o cenário político nacional, com suas extravagantes perucas e palavreado que remotamente lembra a língua portuguesa, Guilherme Cunha Pereira fala como um homem educado.
Sua fala é a fala de um homem pautado no Direito e na Filosofia, com uma forte ênfase na Constituição. Um porta-voz do pensamento conservador que lembra os grandes nomes do pensamento político liberal brasileiro, como Carlos Lacerda e a famosa Banda de Música da UDN, políticos e juristas conservadores que infernizaram a vida de Getúlio Vargas nos anos 50 e ajudaram a promover o Golpe de 1964.
Seria uma novidade no paupérrimo cenário da política nacional.
Neste sentido, ele carrega a herança familiar. Seu pai, Francisco Cunha Pereira Filho, sempre pautou politicamente a Gazeta do Povo (mas sempre mantendo um perfil discreto). Sua política era a política das grandes causas paranistas, distante das miudezas da pequena política. Já Guilherme Cunha Pereira tem seu foco nas questões nacionais. Ele foge da babel em que se transformou a política nacional, atendo-se ao discurso argumentativo destinado a convencer pessoas.
Bem-vindo ao circo. Espero que sobreviva.

Hatsuo Fukuda, observador da vida curitibana, adora um circo. Quanto mais mambembe, mais divertido.










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