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GRANDES POEMAS DA NOSSA LÍNGUA XVI

A língua portuguesa tem pérolas esquecidas, espalhadas em velhos livros já não lidos. Hoje seguimos com um poeta querido e próximo a todos nós: Mário Quintana. Oferecemos dois poemas: Emergência e Relógio. O primeiro falando da arte de poetar, o segundo abordando assunto recorrente: o tempo.



Imagem de Dorothe por Pixabay


Emergência


Quem faz um poema abre uma janela. Respira, tu que estás numa cela abafada, esse ar que entra por ela. Por isso é que os poemas têm ritmo — para que possas profundamente respirar. Quem faz um poema salva um afogado.



Relógio


O mais feroz dos animais domésticos é o relógio de parede: conheço um que já devorou três gerações da minha família.




Mário Quintana ( 1906/1994 ), poeta gaúcho muito querido pela simplicidade e sensibilidade. Emergência foi publicado em 1976, no livro Apontamentos de História Sobrenatural. O Relógio você pode encontrar em Poesia Completa, de 1994. Quintana era um solitário que morava em hotéis de Porto Alegre. Três vezes a Academia Brasileira de Letras negou-lhe a indicação para uma cadeira. Uma injustiça grave numa instituição que abriga muita gente menos talentosa.



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