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GRANDES POEMAS DA NOSSA LÍNGUA XVIII

A língua portuguesa tem pérolas esquecidas, espalhadas em velhos livros já não lidos. Encerrando o pequeno ciclo do poeta Mário Quintana, oferecemos um lindo poema: Deixa-me Seguir para o Mar.



Imagem de Pexels por Pixabay



DEIXA-ME SEGUIR PARA O MAR



Tenta esquecer-me... Ser lembrado é como evocar-se um fantasma... Deixa-me ser o que sou, o que sempre fui, um rio que vai fluindo...

Em vão, em minhas margens cantarão as horas, me recamarei de estrelas como um manto real, me bordarei de nuvens e de asas, às vezes virão em mim as crianças banhar-se...

Um espelho não guarda as coisas refletidas! E o meu destino é seguir... é seguir para o Mar, as imagens perdendo no caminho... Deixa-me fluir, passar, cantar...

toda a tristeza dos rios é não poderem parar!




Mário Quintana ( 1906/1994 ), poeta gaúcho muito querido pela simplicidade e sensibilidade. Você encontra o poema de hoje no livro Poesia Completa. Quintana era um solitário que morava em hotéis de Porto Alegre. Três vezes a Academia Brasileira de Letras negou-lhe a indicação para uma cadeira. Uma injustiça grave numa instituição que abriga muita gente menos talentosa.



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