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GRANDES POEMAS DA NOSSA LÍNGUA XXII

A língua portuguesa tem pérolas esquecidas, espalhadas em velhos livros já não lidos. Seguimos com a série para homenagear uma grande poetisa paranaense: Helena Kolody. A professorinha que iniciou a carreira no interior do Estado, tornou-se uma expressão da poesia paranaense. Kolody não explorou tão profundamente o soneto. Mas hoje trazemos o poema Sonhar, provando sua capacidade também nesta forma do poetar.



Imagem de G1 - Globo



SONHAR


Sonhar é transportar-se em asas de ouro e aço

Aos páramos azuis da luz e da harmonia;

É ambicionar o céu; é dominar o espaço,

Num vôo poderoso e audaz da fantasia.



Fugir ao mundo vil, tão vil que, sem cansaço,

Engana, e menospreza, e zomba, e calunia;

Encastelar-se, enfim, no deslumbrante paço

De um sonho puro e bom, de paz e de alegria.



É ver no lago um mar, nas nuvens um castelo,

Na luz de um pirilampo um sol pequeno e belo;

É alçar, constantemente, o olhar ao céu profundo.



Sonhar é ter um grande ideal na inglória lida:

Tão grande que não cabe inteiro nesta vida,

Tão puro que não vive em plagas deste mundo.


Helena Kolody ( 1912 - 2004 ), poetisa paranaense nascida em União da Vitória. Professora por profissão ( lecionou por 23 anos no Instituto de Educação de Curitiba, depois de ter lecionado em Jacarezinho e Ponta Grossa ), poeta na alma. É uma das expressões da poesia paranaense. Seu primeiro livro foi Paisagem Interior, de 1941. Em sua longa vida, foi sempre uma escritora prolífica. Atestam o fato seus muitos livros publicados.

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