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JACK LONDON

Recomendações de literatura


A vida aventuresca de um dos autores mais queridos da América.



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Seria um total desperdício se alguém cuja vida foi cheia de aventuras e fatos pitorescos não tivesse talento suficiente para retratar tantas emoções em obras literárias. London nunca escreveu exatamente uma autobiografia, sequer narrou suas experiências pessoais em primeira pessoa, embora Martin Eden e John Barleycorn sejam indiscutivelmente inspiradas em sua vida pessoal. Mas todas suas aventuras foram a fonte de onde bebeu para escrever suas incríveis histórias.

Nascido John Griffith Chaney, teve um difícil início de vida, desde sua concepção. O homem tido como seu pai, William Chaney, exigiu que a mãe fizesse um aborto, pois ambos não eram casados. Quando ela recusou, ele simplesmente negou-se a reconhecer a criança. Flora Wellman, sua mãe, tentou suicídio sem êxito e depois entregou o menino aos cuidados daquela que seria considerada por London como sua mãe adotiva, Virgínia Prentiss, uma ex-escrava. Flora casou-se posteriormente com um veterano da Guerra Civil americana, parcialmente incapacitado, John London. Do padrasto, que sempre o tratou com carinho e compreensão, o escritor adotou o nome, assinando pelo apelido Jack London.


Desde menino, Jack teve que lutar pela sobrevivência, já que a família era muito pobre. Trabalhando numa fábrica de enlatados, numa exaustiva jornada superior a doze horas diárias, percebeu que aquela rotina de exploração não o levaria a nada. Emprestou dinheiro de sua mãe adotiva para comprar um barco. Aprendeu a navegar e passou a viver de pirataria de ostras, atividade noturna, perigosa e clandestina. Nesta rude vida de perigos e marujos duros, mergulhou no vício em bebedeiras homéricas. Quando seu barco ficou avariado demais para qualquer fim, alistou-se numa escuna que faria viagem ao Japão.


Quando voltou, encontrou a América em grave crise econômica. Após tentar a sorte em empregos que apenas exploravam seu vigor físico, participou da marcha de protesto de desempregados conhecida como o Exército de Kelly. Este foi outro episódio fracassado. London tornou-se andarilho, viajando clandestinamente em trens. Acabou preso por vadiagem, cumprindo 30 dias de reclusão.


Mas em meio a esta vida errática, lia vorazmente e conseguiu concluir os estudos intermediários. Nesta ocasião, o primeiro vislumbre de seu incrível talento: participou de um concurso literário em um jornal de São Francisco com o relato de um tufão no Japão. Ganhou o primeiro prêmio, 25 dólares e a compreensão de que a literatura poderia ser mais compensadora que o trabalho operário.


Conseguiu entrar na Universidade de Berkeley às custas de muito esforço, mas jamais se formou. As dificuldades financeiras interromperam o curso. Em 1897 participou da Corrida do Ouro na região de Klondike, Yukon, no Noroeste do Canadá. London não encontrou ouro, mas ganhou algum dinheiro fazendo um transporte arriscado de barco para os mineradores. O escorbuto interrompeu a aventura do ouro, sem que London visse uma pepita sequer.


Ele então regressou e o sofrimento presenciado naquelas regiões ermas foi tema e pano de fundo para muitas de suas histórias. Tantas dificuldades fizeram-no um socialista convicto. Foi novamente preso e na prisão associou-se a um criminoso para receber proteção. Ao serem libertos, London ajuizadamente abandonou o companheiro.


Começou a viver de literatura, a princípio recebendo poucos dólares. Mas no início do Século XX, revistas literárias tornaram-se extremamente populares, e Jack London passou a ser assíduo colaborador. As revistas finalmente pagavam bem e a situação financeira de London melhorou muito. Em 1903 vende por 2 mil dólares aquele que seria seu primeiro e talvez maior sucesso: The Call of the Wild. A história tornou-se um dos maiores clássicos da literatura norte-americana, extremamente popular, também imortalizada no cinema.


Em sua vida atribulada, London teve duas mulheres. Abandonou a primeira, Bessie, com quem teve duas filhas, para casar com uma mulher mais afeita e disposta a aventuras, Charmian Kittredge. Mas a perda do convívio com as filhas causou-lhe profundo pesar.

A literatura o fez famoso em vida e cruzou o país fazendo palestras. Cruzou também o mundo como correspondente jornalístico, cobrindo conflitos como a Guerra Russo-Japonesa ( 1904/1905 ). A literatura finalmente o tornou um homem de posses. Comprou um rancho de 1000 acres na Califórnia, onde desenvolveu esforços agrícolas de fundo socialista. Este seu viés empreendedor, faz lembrar os esforços igualmente quixotescos do nosso Monteiro Lobato. O rancho fracassou como empreendimento economicamente viável, mas o espírito visionário de London o levou a construir uma mansão de mais de 1400 metros quadrados, a Toca do Lobo. Neste grande empreendimento visualizava a sede do seu mundo, desenvolvendo atividades de agricultura e pecuária, recebendo amigos em grandes e dispendiosos jantares.


A vida financeira descontrolada o levou à bancarrota. Para se ter ideia, ele era o tipo de homem que idealizava uma viagem à volta do mundo e investia fortunas na construção de um barco. Ele efetivamente assim fez, para perceber que o barco flutuava com dificuldade e a equipe contratada era absolutamente incompetente. Ainda assim empreendeu a viagem, escapando de inúmeros perigos. Mas não logrou completar o périplo, vencido por dívidas e doenças que o acompanhariam até o fim dos seus dias.


Ao final, extremamente endividado, um incêndio destruiu a Toca do Lobo quando estava em vias de ser inaugurada. Este golpe foi mais do que podia suportar. Não é certo se suicidou-se com uma overdose de morfina ou se a overdose foi acidental.


Jack London é o retrato vivo de uma época, um período em que o cidadão americano comum tinha que suar sangue para sobreviver. Era um espírito inquieto, aventuresco e companheiro. Como escritor foi simplesmente genial. Ninguém que diga apreciar a literatura pode confessar não ter lido nada de London. Suas obras retratando a força da natureza são primorosas. Alguns contos são páginas preciosas da literatura mundial. Suas principais obras, são:


  • The Call of the Wild - 1903;

  • The Sea Wolf - 1904;

  • White Fang - 1907;

  • Martin Eden - 1909;

  • A Son of the Sun - 1912.


No Brasil, The Call of the Wild é conhecido como O Chamado da Floresta; White Fang é conhecido como Caninos Brancos.

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