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PRIMO APA VAI À FEIRA

Viver nela é um privilégio

Que goza quem nela está

Jardim luz, cheio de rosa

Capital do Paraná

Imagem de Hatsuo Fukuda


O Primo Apa, como sempre, está preocupado com comida. Como recebeu alguns caraminguás por fake news que ajudou a criar, hoje não será o pão seco de todos os dias, mas um pastel com guaraná. Não tem pressa, e arrasta a carcaça cambaleante entre as barracas. Normalmente ele viria no final da manhã, mas aproveitou o embalo da festa na praça, regada a craque e cachaça, e chegou cedo.


Pensando na sobremesa, comprou uma maçã. Uma bela maçã vermelha, nem grande nem pequena, uma maçã de aparência suculenta. No food truck do japonês, foi atendido imediatamente. Pegou os pastéis, a guaraná e a maçã e sentou para comer nos fundos da banca de defumados.

Não é uma grande feira. Ocupa dois lados da praça, a da Padre Anchieta e a Desembargador Mota, deixando livres a Brigadeiro Franco e a Martim Afonso. É uma feira dominical, e tem um ar de feira de vizinhança. Todas têm, mas ao Primo esta parece ser mais amigável. Talvez pelo fato de ser aos domingos? Aos domingos não há pressa. Se o dia for bom, bermuda e camiseta; se for um dia frio, blusas e agasalhos. Mesmo em dia de chuva é bom (experiência própria). Um bom dia para passear com o cachorrinho ou o cachorrão. Ou as crianças, para quem tem.

O Primo só vai à feira para o pastel, quando tem dinheiro. Prefere comer no bandejão da Prefeitura na Praça Ruy Barbosa. Para o café da manhã, há os abnegados que distribuem pão em diversos locais da cidade – por exemplo, a Pizzaria Itália, na Rua Cândido Lopes, faz essa gentileza aos sem-teto, toda manhã – e para o café da tarde, há sempre um pessoal distribuindo pão e gasosa na Praça Generoso Marques ou ao lado do Mercado de Flores na Borges de Macedo. Nada como fazer um lanche ao ar livre, na companhia de rosas e flores do campo. Melhor umas torradinhas com caviar Beluga, acompanhado de vodka russa no café da manhã, mas é o que temos por hoje.

Imagem de Hatsuo Fukuda


Segue em frente. Vai cumprimentar um amigo na feirinha do Largo da Ordem, que vende craque no cruzamento. Talvez role uma presença. Saudades do cavalo babão. Saudades dos carroções de polacos vindos da Barreirinha. Saudades de Curitiba.


A epígrafe é um trecho do Hino de Curitiba, de Ciro Silva e Bento Mossurunga. Um belo hino, para variar. A Prefeitura informa que durante a semana são realizadas 38 feiras livres em Curitiba. Aos domingos, são nove. Esta fica na Praça 29 de Março. É um ótimo passeio para as manhãs de domingo. Se houvesse música e alguns saltimbancos seria perfeito. A Prefeitura mantém ainda 5 bandejões pela cidade, mas só para o almoço. Cardápio: arroz, feijão, carne, acompanhamento, salada e sobremesa. Por três pilas você come à vontade. O caviar Beluga está em falta. Vodka nem pensar. Quanto ao café da manhã e da tarde, circule pela cidade e você verá gente distribuindo pão. Pensando bem, não é pão: eles distribuem amizade e amor a Deus.

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