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REPUBLICANDO: GOVERNO BOLSONARO


O que foi, realmente, o governo de Jair Bolsonaro?


Imagem de: www.slon.pics / Freepik

Dizem que o brasileiro tem memória curta. Agora, na perspectiva de uma eleição presidencial, a falta de memória é problema sério que traz graves consequências. Para refrescar lembranças do que foi a gestão de Jair Bolsonaro, passamos a republicar - todo domingo - comentários sobre este governo.


Assim, você poderá avaliar toda a trajetória deste governo ( ou desgoverno ). Quando outubro chegar, com os fatos recolocados, você pode formar seu julgamento. E se quiser reconduzir Jair Bolsonaro ao poder, é decisão e responsabilidade sua.


Hoje atingimos a primeira grande crise do governo Bolsonaro, com o desembarque do Ministro da Justiça, Sérgio Moro. Quais os interesses por trás das decisões que levaram à renúncia daquele que era tido como o esteio moral do governo?





PORQUE DEMITIR VALEIXO - PORQUE MORO SAIU - Texto originalmente publicado em 24.04.20


O que levou o Presidente da República a demitir o Diretor-Geral da Polícia Federal? Porque ficou impossível a Moro continuar.



Bolsonaro tem muitos motivos para querer a demissão de Maurício Valeixo, atual Diretor-Geral da Polícia Federal e braço direito do Ministro da Justiça, Sérgio Moro. Nenhum destes motivos é decente, todos revelam absoluta falta de caráter.


Em breve retrospectiva, os principais motivos são:


1 - Episódio Queiroz/Flávio Bolsonaro - É o famoso caso da ‘rachadinha” no gabinete do então deputado Flávio Bolsonaro. Este é o menor dos motivos, já que, embora escandaloso, o crime não é tão grave assim, constituindo-se em lamentável prática de muitos parlamentares. Mas enfim, trata-se do primogênito, que até chorou frente às câmeras por causa disto e tem feito de tudo para barrar as investigações;


2 - O caso Marielle - Este sim, uma bomba capaz de abreviar o mandato presidencial e, de quebra, botar Bolsonaro na cadeia. Todos sabem que o clã Bolsonaro tem íntimas ligações com as milícias no Rio de Janeiro, estado que é sua base eleitoral. A Polícia Federal certamente investiga o caso a fundo, sobretudo depois que Bolsonaro eliminou provas importantes, os registros de acesso ao condomínio em que reside. Os assassinos estiveram no condomínio comprovadamente no dia do crime e os registros foram eliminados. Dois mais dois são quatro.


3 - Envolvimento com as milícias - Milícias são máfias tupiniquins, via de regra compostas por membros ou ex-membros das polícias civil e militar. Uma vez dominando uma comunidade, exploram o povo de todas maneiras, simplesmente impondo terror e eliminando resistências. Os Bolsonaro têm base eleitoral nas milícias e relação estreita com seus líderes. O caso envolvendo a execução do capitão Adriano Magalhães da Nóbrega por forças policiais na Bahia deixa isto evidenciado a toda luz. Adriano era miliciano conhecido, procurado por muitos crimes e, ainda assim, oficialmente homenageado pelo clã Bolsonaro, que se mostrou “indignado’’ com sua execução. Provar que o Presidente está envolvido com as milícias e, portanto, com o crime organizado, também pode abreviar seu governo.


4 - Inquéritos no STF - Há dois, relevantes, que incomodam o Presidente. O primeiro diz respeito às fake news, arma muito utilizada em sua eleição, que envolve diretamente os filhos Eduardo e Carlos. O segundo é recente e visa investigar quem está organizando e financiando os movimentos antidemocráticos no país. Cá entre nós, deve ser a tarefa mais simples possível para a Polícia Federal demonstrar, mediante robustas provas, que o clã Bolsonaro ( ou ao menos alguns dos filhinhos ) está por trás das manifestações que pregam o retorno da ditadura ( com Bolsonaro no poder, claro );


5 - Aproximação ao centrão - O recente movimento do Planalto de aproximação ao centrão ( bloco claramente identificado à velha política que Bolsonaro diz combater ) coloca Maurício Valeixo em foco. Ele, trabalhando na Lava-Jato, foi o responsável por indiciar líderes de partidos como PL, PP e outros. Figurinhas carimbadas dos álbuns da corrupção, como Valdemar Costa Neto, devem estar pedindo a cabeça de Valeixo numa bandeja.



Há muitos motivos, pois, todos torpes. Podemos agregar outro motivo: esvaziar o Ministro Sérgio Moro, forçando sua saída. Moro deve estar lamentando amargamente o dia em que vendeu a alma ao doutor Fausto. Fausto poderia bem ser a alcunha do Presidente Bolsonaro, já que ele, tal qual o personagem de Goethe, provavelmente vendeu a alma ao demônio. Afinal o que mais explicaria sua ascensão ao poder?


Moro agora teve de mostrar de que tipo de fibra é feito. Ele tinha duas opções: pedir demissão e pagar o amargo preço de um erro, redimindo-se perante a nação denunciando as mazelas do antigo chefe e, talvez, concorrendo a um cargo público ( a Presidência mesmo, quem sabe? ); ou continuar sendo manipulado e iludido pelo Presidente, que ficará usando seus sonhos de chegar ao Supremo Tribunal Federal para manter um Ministro da Justiça dócil e cada vez menos popular.


Pelo pronunciamento que acaba de fazer, Moro escolheu a opção digna. Não é a opção mais cômoda ou fácil. Felizmente Moro escolheu o caminho corajoso. E embora sua atuação no passado mereça algumas duras críticas, agora recebe os aplausos dos homens de bem, pois do contrário seria conivente com a interferência na Polícia Federal, apenas mais um passo no plano autoritário do clã Bolsonaro.



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