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À SOMBRA DA DITADURA


O mundo em tempos sombrios...


Imagem de blog café com Sociologia

É triste, mas é verdade. O mundo segue no rumo do autoritarismo, de maneira lenta, gradual e aparentemente inexorável. Todos os sinais estão aí. E pelo que se observa, não há nada que se possa fazer a respeito.


Na Rússia, Putin segue eliminando seus desafetos. Agora foi a vez de Alexei Lavalny, o principal crítico da ditadura Putin, morto em circunstâncias misteriosas num presídio localizado no círculo polar ártico. O ditador prendeu centenas de pessoas que manifestaram solidariedade a Navalny. O mesmo Putin que mantém uma guerra que já completa seu segundo ano. O ocidente continua enviando equipamentos, armas e recursos para a Ucrânia, mas tudo parece insuficiente.


Em Israel, com a extrema direita no poder, Netaniahu segue com suas ações genocidas na Faixa da Gaza. Cidades inteiras foram riscadas do mapa. Mais de trinta mil pessoas morreram, a maior parte mulheres e crianças. Mais de um milhão e quinhentos mil palestinos foram forçados a migrar para Rafah, cidade que agora é o próximo alvo dos ataques do exército israelense. O mundo, chocado, protesta, mas nada faz de concreto.


Na Venezuela, Maduro segue prendendo opositores e impedindo a candidatura de adversários eleitoralmente viáveis. O mesmo Maduro que havia feito um acordo com os americanos - por meio do qual viu as medidas econômicas restritivas afrouxadas - já mandou os termos do acordo pro vinagre. E o povo venezuelano segue em miséria, abandonando seu país.


Há inúmeras ditaduras que prosperam, algumas sob o olhar complacente das democracias ocidentais. É o caso da Arábia Saudita, uma ditadura misógina e retrógrada para quem as democracias ocidentais, sobretudo a americana, fecha os olhos. China, Coreia do Norte, Irã, Bielorrussia, Afeganistão... países em que sistemas fechados prosseguem sem contestação.


Na Itália, Argentina, Hungria e inúmeros outros países, líderes de extrema direita chegam ao poder. Nos EUA - a maior democracia do mundo - segue a sombra de Trump como possível ameaça. É incrível que o sistema americano sequer permita sua candidatura, depois de todas tentativas de mutilar a democracia norte-americana.


Aqui, na política tupiniquim, afastamos por ora a ameaça de Bolsonaro. A revelação de mais uma absurda reunião ministerial em que se discutia abertamente o golpe chocou a nação. Mas Bolsonaro ainda não foi preso, o que também é igualmente absurdo. Enquanto isso, Lula tampouco dá firmes sinais à democracia. O Itamaraty não condena a Venezuela e, volta e meia Lula faz pronunciamentos claramente autoritários.


No passado, a superação de ditaduras crueis custou a mais assassina guerra. Será que teremos que passar por tudo aquilo novamente? Será que os organismos internacionais não tem mesmo poder algum para reprimir o autoritarismo? Será que internamente somos incapazes de afastar políticos que claramente não desejam a democracia? Será que a ditadura há de sempre retornar, num looping lamentável de sofrimento e restrição às liberdades públicas?

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