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A GRAÇA DO PRESIDENTE

Que mensagem estamos passando à população?




Como fazer o cidadão comum entender, ou ao menos assimilar, os absurdos que vivemos? Como um homem simples pode compreender que os valores são voláteis, que as normas não são iguais para todo mundo, que o mesmo ato que implica numa pena severa para alguns, para outros não dá em nada?


O que é certo ou errado torna-se, cada vez mais, nublado, turvo, de difícil visualização. Aquilo que, ontem, se tinha por certo, por obrigação, por dever, amanhã não mais se impõe como dever ou obrigação, sequer como certo. Princípios estão ruindo. Valores estão sendo vaporizados. Cinismo e interesse: este é o novo normal.


O Presidente da República editou um decreto concedendo indulto individual, perdão ao deputado Daniel Silveira. Assim fez antes mesmo da decisão transitar em julgado. Usou - de maneira deturpada - uma prerrogativa que nenhum Presidente tinha atrevimento e cara-de-pau de usar. Bolsonaro já demonstrou que está pouco se lixando para o que as pessoas pensam.


Bem verdade que a pena se mostrava excessiva ao crime cometido; mas também é verdade que Daniel Silveira fez o que pode para cavar esta pena, com afrontas seguidas ao Judiciário que, afinal, mordeu a isca. E quis fazer dele um exemplo. Deu no que deu. Agora, o melhor é cozinhar a questão até 2023, para então decidir o inusitado.


Fato é que o Presidente passa uma mensagem ao povo: eu livro os meus. Pouco importa os erros, os crimes, as afrontas, o desrespeito, os absurdos praticados: eu livro os meus. Com isso passa mensagem subliminar ao STF, ao Judiciário como um todo - não mexam com meus filhos, não busquem responsabilizar os Bolsonaro por nada. Enquanto estivermos no poder faremos o que bem quisermos. E dane-se o resto.


Para o povo a mensagem é clara. A lei atinge apenas alguns, os fracos. A lei não é para todos. Vejam o exemplo das rachadinhas. O clã Bolsonaro como um todo chafurda no escândalo das rachadinhas. As provas contra Flávio Bolsonaro são solares, igualmente no que toca ao Jair. Ainda assim, nada acontece, seja pela leniência do Ministério Público, seja pelas manobras presidenciais na Polícia Federal. O Presidente da República, no caso Marielle, confessou a eliminação de provas e ficou tudo por isso mesmo.

Enquanto isso, uma ex-vereadora de Curitiba, Fabiane Rosa, foi condenada a pena de 41 anos por crimes relacionados à rachadinha. Não estamos defendendo a ex-vereadora, bem entendido. Rachadinha é crime aqui, no Rio de Janeiro ou no Planalto Central. Estamos lamentando a diferença de tratamento. Para um o peso da lei. Para outros, impunidade e sorrisos cínicos.


Que mensagem passamos ao povo brasileiro?


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