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A PGR CONTINUARÁ DE JOELHOS?

É preciso que os Procuradores da República se mobilizem…




Bolsonaro acenou ontem com a continuidade da gestão Aras na Procuradoria Geral da República. Esta é uma ótima notícia para os criminosos que ocupam o Palácio do Planalto, mas uma péssima notícia para o Ministério Público Federal. E um desastre para o combate à corrupção no Brasil.


Como um negócio entre mafiosos, cada um destes sombrios personagens tem suas exigências para concretizar o acerto. Bolsonaro é "humilde", quer apenas que as coisas continuem como estão, com o Ministério Público Federal sabujamente obedecendo as ordens do Planalto, omitindo-se de responsabilizar o clã Bolsonaro por inúmeros crimes, notadamente na condução da pandemia. Augusto Aras, por sua vez, continua acreditando que poderá chegar ao Supremo Tribunal Federal. Deveria saber que talvez Bolsonaro não cumpra a promessa e o que lhe restará é um legado de vergonha.


Augusto Aras tem a personalidade de um homem fraco. Obscuro na instituição, preferiu personalizar o rompimento de uma tradição importantíssima na PGR: a do respeito à lista tríplice elaborada pela classe. Aceitou ser nomeado pelo Presidente, a despeito de não gozar com o apoio mínimo dos companheiros de instituição. Sequer conseguiu ser o terceiro da lista. O que o motivou? Despeito, ressentimento, ambição? Um pouco disso tudo, provavelmente.


Nestes dois anos, Aras coordenou as ações da PGR apoiado por poucos elementos de confiança, em especial Lindôra Araújo e Humberto Jacques de Medeiros. Acabou com a Operação Lava Jato e respaldou Bolsonaro em todos seus desmandos. Alguns episódios desse “respaldo” são verdadeiras máculas à imagem da PGR.


Novamente a lista tríplice foi desrespeitada. Mas esta afronta não deveria ser recebida apenas com silenciosa indignação. Os Procuradores da República deveriam mobilizar-se, manifestar-se publicamente. Deveriam procurar a imprensa e apontar o que a nova gestão Aras significa: a manutenção da PGR de joelhos. Deveriam ir ao Senado da República e exigir que o nome de Aras não ultrapassasse o filtro da sabatina. Quem sabe se os senadores não dão, finalmente, uma demonstração de independência? E, afinal, se tudo fracassar, não terá sido em vão. Porque afirmar os valores democráticos jamais será em vão.


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