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BALANÇO DAS ELEIÇÕES MUNICIPAIS

Como sempre, há observações a fazer e lições a tirar do processo eleitoral brasileiro.

Imagem de Paulo Keno por Pixabay


O processo eleitoral este ano, em função da pandemia, foi rápido como chuva de verão. Entretanto, vencedores e vencidos à parte, deixou observações importantes e considerações relevantes, sobretudo no que toca à preservação de nossa frágil democracia. Vejamos:


· Bolsonaro sai derrotado - A maioria dos candidatos apoiados pelo Presidente foram derrotados, ainda que ele tenha feito até uma espécie de programa eleitoral paralelo nas redes sociais. Os casos mais danosos ao Presidente são o Rio de Janeiro e São Paulo. Em São Paulo, Celso Russomano sequer chegou ao segundo turno. No Rio, Crivella chegou, mas com um índice de rejeição tão alto que dificilmente irá reverter sua sorte no segundo turno. Para muitos, Bolsonaro está sofrendo do efeito Mick Jagger, ou seja, para quem ele torce, perde...


· Outsiders de fora – Na mesma linha de pensamento, os candidatos que se dizem fora da política não tiveram bom desempenho. Aquela onda ensandecida que propiciou a ascensão do mais bizarro outsider que este país já viu, perdeu força. As pessoas começam a entender que não há como mudar as coisas fora da política e que política pode sim ser feita com ética e competência.

· Cresce a participação feminina – As mulheres ganharam espaço, assim como outras minorias. Este é um aspecto positivo, que fortalece a democracia, na medida em que, quanto melhor for a representação no Poder Legislativo, quanto mais diversificada, de modo a oferecer voz a todos segmentos, melhor será.


· Ataques à Justiça Eleitoral – O sistema eleitoral brasileiro vem sendo duramente contestado nas redes sociais. Os sistemas do voto eletrônico sofreram ataques cibernéticos por hackers e ataque nas redes sociais por fake news. Notícias falsas como a alegação de que votos brancos estavam sendo transferidos para a esquerda multiplicaram-se. Não é difícil imaginar de onde partem estes ataques. Desmoralizar o sistema eleitoral, deslegitimar o voto eletrônico, é do interesse de pessoas com aspirações autoritárias. O próprio Presidente já lançou acusações levianas contra o sistema eleitoral brasileiro, sem apresentar qualquer prova. É preciso estar atento a estes ataques, uma espécie de ensaio para o embate mais relevante de 2022 quando, a exemplo de seu modelo norte-americano, Bolsonaro também não aceitará uma derrota e lançará a conta às urnas eletrônicas. A democracia precisa do cuidado dos brasileiros responsáveis.


· Lentidão para o padrão brasileiro – As apurações no Brasil sempre foram modelo de excelência. A celeridade com que se apuram os votos e a ausência de conflitos são de fazer corar qualquer cidadão dos USA – vide a bagunça que anda por lá. Ainda assim, para nosso padrão, houve problemas e os resultados demoraram a sair ( só na madrugada, o que para nós é lento ). Este ano optou-se pela centralização de toda apuração no TSE e esta iniciativa não foi de todo bem sucedida. Uma lição a ser aprendida para o próximo pleito.

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