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CALCINHA COM ZÍPER



O cronista palpiteiro analisa a nova moda de calcinhas.


Imagem de Shopee.


Leio na coluna do coleguinha Carlos Alberto Sardenberg, no jornal O Globo, seu comentário sobre o novo fenômeno de vendas na praça: a calcinha com zíper. Ou seja, calcinha com bolso e zíper, para que as beldades possam pular o carnaval sem medo de terem os celulares furtados. Sardenberg conta que a matéria foi veiculada na CBN, e todos se divertiram com a história. Uma das repórteres contou que teve o celular furtado enquanto cobria um evento de rua. Ao vivo e a cores, como se dizia antigamente.


Nossos sete milhões e uma leitora (a zelosa esposa do Publisher não pode ser esquecida) devem ter ouvido a matéria da CBN e sabem melhor do que eu do novo fenômeno fashion. Algumas já devem estar usando o novo modelo de calcinha, mais adaptado aos novos tempos.


Um vídeo publicado no Tik Tok por uma tiquetoqueira fez muito sucesso (treze mil visualizações). Ela contou que foi passar o réveillon no Rio e usou a calcinha com bolso. Divertiu-se às pampas, mas não contou se houve incômodo com o peso do celular na calcinha. Noblesse oblige. Vale tudo para estar na moda e garantir a segurança.


Aguarda-se que a Apple, Samsung, Xiaomi e outros passem a oferecer novos celulares adaptados para a moda brasileira: microcelulares para serem usados pelas mulheres fashion. Virão acompanhados com fones de ouvido, de modo que possam falar sem o incômodo de tirar a roupa.


Eu, por mim, fico pensando no encontro de dois namorados, quando subitamente (gostaram do subitamente? Coloquem uma trilha sonora aí) toca o celular. Uma mulher mais acostumada aos novos tempos, descolada como toda mulher fashion, imediatamente começa a levantar a saia. Ou baixar a calça. O namorado, como todo namorado ansioso, também começa a tirar a calça, quando ela adverte: É o meu celular. Tenho que atender. O chefe deve estar precisando de mim.


Nada mais antirromântico que o celular na calcinha, penso eu. Mas quem sou eu para discutir as novas modas e os novos costumes? O articulista gosta de assistir velhos filmes de Hollywood que se encerravam com um catártico beijo, um pouco antes do The End. No beijo cinematográfico subentendia-se o resto. Hoje, a mocinha, antes das preliminares românticas, vai direto ao ponto. Tisk tisk tisk.


A nova moda brasileira veio na esteira da notícia que em São Paulo a polícia contabiliza trinta mil furtos e roubos de celular por mês. Trinta mil por mês! Trezentos e sessenta mil por ano. Trata-se de um escândalo que, como todos os escândalos do país, está sendo ignorado. Não se trata mais de jovens delinquentes ansiosos por sua cota de gadgets modernosos. É uma indústria – ao que parece controlada pelo PCC e outras organizações – que ataca transeuntes ou carros (os vidros são destruídos com porretes) e rapidamente passa os celulares para escritórios onde são hackeados, tem as senhas e bancos arrombados, e a seguir são enviados para venda no exterior. Monica Waldvogel, a coleguinha da Globonews que teve o seu celular roubado, teve a pachorra de acompanhá-lo em suas andanças. Ele foi mandado para a África, e a seguir para a Europa, por onde passeou durante meses. Os ataques acontecem em toda a cidade, e o cidadão que andar pela Avenida Paulista ou nos Jardins – lugares sacrossantos da elite – já não está mais seguro. A polícia carioca, com sua eficiência característica, não conta quantos celulares são roubados lá.


Em Curitiba, onde somos contumazes andarilhos, não temos visto ainda o fenômeno. Estamos ainda na pré-história do crime, sujeito apenas a trombadinhas na Rua XV e adjacências, mas o leitor não perde por esperar. Logo o progresso chegará até nós.



Na Shein, Ali Express, Amazon e outras lojas online os novos modelos estão a venda. Os preços variam entre R$ 25 e R$ 35. Para os despreocupados com a segurança, há também calcinhas fio-dental com zíperes. Mas estas têm outra utilidade.

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