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DETALHES SÓRDIDOS


Brasília não tem salvação. Mas é possível salvar o Rio Belém.



Quadro de Alfredo Andersen.



Não me refiro ao noticiário político, focado no contrabando e venda de relógios e jóias na qual se envolveram ilustres e estrelados membros das Forças Armadas, a Aeronáutica, a Marinha e a Força Terrestre. Ou o escambo em curso protagonizado pelo presidente Lula e os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado com o objetivo de partilhar o butim central. Também não me refiro aos personagens menores da comédia pícara brasiliense, como aquela lamentável senhora deputada e suas performances pistoleiras nos Jardins de São Paulo. Como neste canto do planeta quem manda é o Publisher, e este me proibiu de tecer comentários sobre a sordidezes da alta política – não confia em minha astúcia, como diria o grande Chapolin Colorado – limito-me a falar dos pequenos detalhes sórdidos.


Sei que pouca gente se interessa por estas pequenas miudezas, preocupados que estamos todos em salvar o país – alguns o planeta – mas como sou vegano espiritual, ciclista de coração e fervoroso adepto da Lei Seca – além de acreditar, como Rousseau, na bondade inata do ser humano – trago aos meus sete leitores a preocupação que me impede de dormir, nestes dias em que o clima revela sua revolta com o pouco caso da humanidade com o planeta. O calor se sucede ao frio – no mesmo dia – e se prolongado, tapem as narinas.


Amigos, amigos, o Rio Belém continua insuportável. Nos dias quentes e sem chuva, os moradores das regiões por onde passa o rio não conseguem suportar o odor fétido que se espalha. A Capital Ecológica do Brasil ainda esconde seus dejetos – que não deveriam estar ali, deveriam estar nas redes de esgoto a caminho de estações de tratamento – em vários rios subterrâneos, lar de baratas, ratazanas e detritos de todo tipo. E maus odores que impedem o cidadão inocente de dormir nas noites que deveriam ser tranquilas. E os lambaris de rabo vermelho que o povoaram só Deus sabe para onde foram.


A bela Paris presenteou os seus moradores e os milhões de turistas que a visitam com o espetáculo de nadadores mergulhando no Rio Sena. As Olímpiadas verão competições no rio, inclusive natação. O Rio Belém, um pequeno riacho, na verdade, não poderia merecer a atenção do nosso alcaide e do nosso governador? Governador, siga o exemplo do Governador Dória, que começou o processo de limpeza do Rio Pinheiros. Ele pensou nas futuras gerações, como deve fazer um estadista. Prefeito Rafael, você que é o amante infatigável da cidade, salve o Rio Belém! Você sabe que até há pouco tempo o Rio Belém já foi lar de lambaris e sapos coaxantes.


Os moradores do Boqueirão, do Alto da Glória, do Pinheirinho, de São José dos Pinhais e Araucária podem achar pequena a minha preocupação com o Rio Belém. Mas, se pararem para pensar, se darão conta que salvar o rio curitibano por excelência é um pequeno passo para salvar outros rios e riachos da cidade. Com isso, talvez ainda dê para salvar nossa alma, perdida em algum desvão do progresso.



Um dos fenômenos mais tristes do abastardamento da política brasileira é a falta de homens de visão. Diante do desastre climático que bate – arromba – as nossas portas, como agora aconteceu com a tragédia que atingiu São Paulo – e a seca na Amazônia -, insistem os anões políticos na discussão miúda.

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