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ELEIÇÕES AMERICANAS


Fico apavorado com as eleições da principal democracia mundial.


Imagem de CNN.


As eleições americanas são uma grande bagunça. É incrível, mas a maior democracia do mundo apresenta, em suas eleições, as mais surpreendentes ( e por que não dizer, decepcionantes ) características. São muitas as coisas que me surpreendem e decepcionam. Vamos a elas:


  • Sistema de votação - A nação mais tecnológica do mundo ainda vota como se estivesse no Século XX. A confusão começa porque não há um sistema único. Cada estado define o sistema de votação. Prevalecem as cédulas de papel, de lenta apuração e favorecimento às fraudes. Em alguns estados a votação é postal. E em apenas 6 estados há urnas eletrônicas.


  • Sistema de apuração - Por incrível que pareça, a sagrada norma cada pessoa um voto, não vale na apuração final. Dentro de cada estado sim, cada pessoa um voto. Definido, porém, o vencedor dentro do estado, este candidato levará todos seus delegados. Vamos usar o Texas - 38 delegados - como exemplo. Suponha uma eleição apertada em que o candidato republicano vença com 52% dos votos válidos. Ele levará, ainda assim, os 38 delegados. Este sistema absurdo é extremamente injusto porque pode resultar na eleição do candidato que recebeu menos votos no cômputo geral. Isso de fato ocorreu em 2016, quando Trump recebeu menos votos que Hillary Clinton e ainda assim chegou à Casa Branca. Hillary recebeu uma votação superior em mais de 2,5 milhões de votos e foi derrotada.


  • Criminoso candidato - Trump é claramente um criminoso, um gangster. Responde por muitos crimes, desde delitos eleitorais à sonegação fiscal, passando por fraudes contábeis. Se tudo isso não é suficiente para impedir um sujeito de ser candidato a Presidente da República, ao menos o atentado contra a própria democracia deveria ser. A tentativa de golpe nos Estados Unidos - no que ficou conhecido como o Ataque ao Capitólio - custou a vida de 5 pessoas e dezenas de feridos. Qualquer pessoa que diga que Trump não foi responsável pelo ocorrido é um ingênuo ou um canalha. Ainda assim, a Justiça Eleitoral americana permite que este sujeito concorra à Presidência. E - pasmem - ele já está dando sinais de que não respeitará o resultado das urnas se for derrotado.


  • Democrata sem bom senso - O primeiro debate entre os candidatos deixou claro que Biden não tem mais condições físicas de ser candidato. Os anos pesam, a cognição despenca e ele não consegue sequer completar seu raciocínio. Se tivesse bom senso e grandeza, Biden desistiria de ser candidato e abriria espaço para alguém mais jovem. Ainda há tempo para isso, pois a Convenção do Partido Democrata não se realizou. Ele deveria saber que é vital impedir um novo mandato de Donald Trump e que suas chances pessoais são pequenas. Em tempos como os que vivemos, em que a extrema direita ascende no mundo inteiro, em que valores fascistas voltam a viscejar como há cem anos atrás, é fundamental ter um democrata ( pode ser um republicano, sem problemas, mas um republicano democrata ) na Casa Branca. A sobrevivência da democracia mundial neste momento depende, em grande medida, da mais forte e antiga democracia do mundo.


  • Eleitorado americano - O eleitor americano médio é uma decepção ( não que o eleitor brasileiro seja melhor ). O americano valoriza o sucesso, que ele identifica com riqueza. O americano valoriza força, que ele identifica com arrogância e prepotência. Há muita xenofobia e preconceito. No primeiro debate os candidatos trocaram frases infantis e discutiram quem era melhor no golfe. Enfim, não são bons valores ou propostas viáveis que norteiam a decisão do americano médio. Tanto que um homem como Trump já conseguiu ser eleito, ainda que favorecido pelo absurdo e injusto sistema de apuração local.


Há ou não há motivos para preocupação?

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