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LA DONNA È MOBILE


La donna è mobile

Qual piuma al viento

Muta d’accento

E di pensiero



Imagem de Metropoles



Uma das grandes fotos que os jornais trouxeram, nos últimos dias, foi a da posse do ministro Bruno Dantas, no Tribunal de Contas da União. Na primeira fila dos presentes via-se o futuro presidente, Lula, acompanhado do ex-presidente Sarney; ao lado de Sarney, o Picolé de Xuxu, também conhecido como Geraldo, o Renascido das Cinzas. Na segunda fila, os ministros do Supremo; na terceira fila, vejo, entre outros, o senador Renan, o renovado Pai da Pátria alagoano. Perdido na penúltima fileira, o único reconhecível (para mim) entre os ministros do atual governo que se retira, Paulo Guedes. O repórter Igo Gadelha, do site Metrópolis, registrou que a escolha dos assentos foi do próprio ministro Bruno Dantas.


Paulo Guedes, o todo poderoso ministro da Economia – nem Delfim Neto, chamado na época do Milagre Brasileiro, de Czar da Economia, teve tanto poder e concentrou tantas atribuições – o homem que magnetizava os famosos farialaimers com seu canto de sereia, viu-se reduzido a um mero figurante na eterna peça do poder brasiliense.


Para sermos justos com o personagem, seu semblante era sóbrio, e não apresentava sintomas da abstinência do poder que personagens mais ilustres e mais despreparados andam apresentando. Paulo Guedes deve conhecer a mais famosa das historinhas do poder, que o cafezinho é servido frio ao poder que se retira – quando é servido – e, como banqueiro e empresário, deve saber enfrentar situações adversas – ele é um homem rico, e não se enriquece neste mercado sem sangue frio.


Há inúmeras historinhas sobre os aqueles que saem do poder. Uma delas conta de um famoso caudilho que veio junto com Getúlio Vargas, quando ele amarrou os cavalos gaúchos no Obelisco do Rio de Janeiro. Anos depois, Getúlio deposto, o caudilho viu-se sem amigos e sem dinheiro. Perguntado sobre qual a razão da penúria em que vivia, ele que havia sido um todo-poderoso membro da entourage getulista, respondeu:


- Cavalos lerdos e mulheres ligeiras.


Paulo, pelo que diz a imprensa, tem uns cem milhões de dólares no Panamá, o que suponho será suficiente para apostar em cavalinhos e noitadas em cabarés panamenhos. Deve ter mais – a imprensa fofoqueira geralmente é mal-informada – mas que vá.

Nesta foto não estranhei a presença de Sarney – os vampiros nunca morrem – mas senti falta do ex-presidente Michel Temer. Amigos meus estranham minha simpatia por Temer, e receio ter perdido a confiança de vários por essa simpatia. No meu caso, a simpatia, na origem, começou com a leitura do livrinho dele de Direito Constitucional, um best-seller que muito me confortou nos meus estudos de aprendiz de Direito.


Temer, quando passou pelo ocaso da transição – entregou o poder ao cafajeste que ora se retira – suportou a situação com o savoir-faire dos profissionais. Conhecendo os personagens envolvidos, quatro anos e muita cafajestada depois, suponho que ele deve ter passado por poucas e boas. Mas disse que não tomou café frio e ainda lhe serviram água gelada. Não passou recibo. Também é profissional. Amadores são os que estão saindo.


Não vi os generais na posse. Deles, tenho lido notícias do general Hamilton Mourão, agora senador. Ele parece ser um homem bem-humorado, e vai continuar sendo, pois dizem que o Senado é uma espécie de paraíso em vida (Darci Ribeiro). Ele continuará cavalgando seus cavalinhos todos os dias – ele é da Cavalaria - e a vida seguirá o seu curso normal. Com café quente e água gelada.


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