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LEONARDO DA VINCI

RECOMENDAÇÕES DE LEITURA

Uma biografia maravilhosa, lançada ao papel com a maestria de Walter Isaacson.



Imagem de WikiImages por Pixabay

Um polímata é aquele indivíduo que se interessa e domina inúmeras ciências. A história da humanidade apresentou apenas três grandes polímatas: Aristóteles, Leonardo da Vinci e Isaac Newton. Alguns acrescentam o nome de Leibnitz a esta seleta lista. Impossível dizer qual deles foi o maior. Mas Leonardo é com certeza a figura mais apaixonante.


Leonardo, nascido em Vinci, aldeia próxima a Florença, tinha tudo pra dar errado: bastardo, gay, sem educação formal adequada. Mas seu pai era um tabelião que, mesmo sem jamais reconhecê-lo oficialmente como filho, sempre dava um empurrãozinho para melhorar seu futuro. Foi por sua iniciativa que Leonardo passou a estudar no atelier de Verrochio, em Florença, artista especialmente conhecido por suas esculturas.

A península itálica fervia arte na renascença e havia procura por obras de arte, especialmente pinturas. O atelier de Verrochio era quase uma linha de montagem onde se produziam muitos quadros sem autoria definida, resultado do trabalho conjunto de muitos discípulos sob a orientação do mestre. Ali Leonardo desenvolveu seus dons artísticos, ainda que em pouco tempo já estivesse superando Verrochio em muito.


Quando abandonou Verrochio e montou o próprio atelier com seus aprendizes, Leonardo passou a mostrar seu interesse por inúmeros outros campos do saber. A partir de então, até o final de sua vida, mergulhou na busca do conhecimento, do saber pelo saber, por meio de uma observação aguda da natureza, da valorização do conhecimento empírico comprovado por inúmeras experiências. Como não teve educação formal e tinha um latim pobre, somente depois Leonardo passou a valorizar o conhecimento consolidado dos antigos e tornou-se um polímata completo, ainda que desde cedo investisse na aquisição de obras literárias e científicas.


Quase tudo que sabemos de Leonardo da Vinci vem de seus famosos cadernos de anotação: ele anotava tudo que achava importante, por vezes apertando diversos assuntos e apontamentos numa mesma página - o que é compreensível, pois o papel não era um artigo barato. Numa mesma página você poderia encontrar o estudo para uma nova pintura, os planos para uma nova máquina, uma lista de compras, um desabafo contra um desafeto, um estudo de hidráulica, assim por diante. Ele nos legou milhares de páginas, no que se acredita seja apenas uma pequena parcela das suas anotações que foram salvas da destruição do tempo. Leonardo interessou-se por inúmeros assuntos, especialmente pintura, hidráulica, anatomia, engenharia militar, arquitetura, agronomia, biologia e inventos úteis.


Para viver no período renascentista, se você não fosse nobre, membro de uma guilda, de uma corporação de ofícios ou camponês, você precisava ter patrocinadores. Fazer parte de uma corte, assim, era muito útil para sua sobrevivência. Em Florença, Leonardo dependia da boa vontade dos Médici, vivendo, basicamente, por comissões de obras artísticas ao seu atelier. Mas Leonardo tinha um problema: ele era tão obcecado pelo saber em múltiplos assuntos que facilmente perdia interesse num trabalho comum para o qual fora comissionado. Embora tenha sido - e nisto há consenso entre todos especialistas - o maior pintor de todos os tempos, Leonardo demorava muito para entregar as obras encomendadas. Procrastinava os trabalhos porque seu interesse estava voltado para o estudo de um pássaro, de uma planta, da maneira como os fluidos evoluíam por dutos, coisas assim. Claro que isso lhe trouxe problemas.



Imagem de WikiImages por Pixabay


A solução que encontrou foi oferecer seus muitos talentos a um soberano poderoso, em cuja corte pudesse prestar múltiplos serviços e, em troca, receber acomodações e um bom salário. Encontrou este nobre na corte milanesa de Ludovico Sforza. Ali Leonardo encontrou estabilidade para todas suas pesquisas, inclusive artísticas. É impressionante saber que - rigorosamente - a principal função de Leonardo ao longo de sua vida foi de mestre do entretenimento. A corte necessitava avidamente de entretenimento e Leonardo dedicou-se à produção de espetáculos teatrais, jogos, charadas, saraus literários e científicos, missas, cerimônias de homenagem, desfiles, tudo que pudesse maravilhar a nobreza e a população de Milão.


Quando a França invadiu Milão, Leonardo retirou-se por um tempo, retornando a Florença. Neste período aflorou sua rivalidade com Michelangelo. Ambos eram gays, mas profundamente diferentes: Leonardo era bonito, elegante, gostava da companhia de pessoas, uma mente aberta livre das peias da religião; Michelangelo, ao contrário, era recluso, mal vestido, torturado por sua condição, já que profundamente religioso. Além disso, eram de gerações diferentes, Leonardo bem mais velho. Os dois simplesmente se detestavam, embora competissem artisticamente. Leonardo foi o maior pintor de todos os tempos; Michelangelo o maior escultor.


Deixando Florença, Leonardo seguiu a corte de César Bórgia, um dos mais cruéis soberanos daquela época. Retornou a Milão, prestando serviços aos franceses e, finalmente serviu ao Rei da França - Francisco I, morando nos arredores de Paris. Neste último período encontrou o monarca interessado e benevolente que procurou em toda sua vida, embora por curto período até sua morte.


Leonardo foi um gênio que deixou um legado notável em muitos ramos da ciência. Antecipou descobertas que se confirmariam apenas séculos depois. E como pintor foi inexcedível, ainda que seu perfeccionismo o levasse a jamais concluir várias de suas obras. Todos os detalhes de sua biografia, você encontra na maravilhosa obra de Walter Isaacson - Leonardo da Vinci, a leitura mais preciosa e agradável que lhe posso recomendar nestes tempos de pandemia.




Leonardo da Vinci, de Walter Isaacson - Editora Intrínseca Ltda, 2017 - 634 páginas. O livro conta com inúmeras ilustrações, em especial de suas pinturas e invenções. Tradução de André Czarnobai.



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