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MÃOS NO PESCOÇO

É aviltante o espetáculo de um Presidente fugindo de suas responsabilidades…


Imagem deJL GporPixabay


O que se vê em Manaus é de revoltar o mais pacífico dos homens; o que se presencia nos hospitais manauaras é de fazer chorar o ser humano de coração mais empedernido; o que se contempla nas UTIs destes hospitais é de gelar o sangue nas veias, desesperar mentes, entristecer espíritos e, literalmente, sufocar corpos.


Não bastasse esta situação pra lá de desesperadora, que acompanhamos sentindo-nos miseráveis e totalmente inúteis, ainda precisamos assistir o espetáculo patético do Presidente da República fugindo covardemente de suas responsabilidades. Assistir as justificativas de Bolsonaro é mais que patético: embrulha o estômago, causa asco e vergonha ao mesmo tempo.


Pois é, povo brasileiro. Naquilo que será para sempre lembrado como o maior erro da nossa democracia, colocamos o homem no poder. E agora, depois de mais de duzentos mil mortos, enquanto cidadãos amazonenses literalmente se afogam por falta de oxigênio, Bolsonaro diz na televisão que fez tudo que podia, que a responsabilidade é do governo municipal e estadual, que o Supremo Tribunal Federal o impediu de atuar para impedir o avanço da pandemia. Tudo escandalosa MENTIRA! Tão mentiroso quanto as fake news que ele e o gabinete do ódio espalham, tão falso quanto o conteúdo de suas lives, tão ôco quanto seu caráter.


Não, Bolsonaro. Você não fez tudo que podia, a menos que se refira a tudo que podia para fortalecer a pandemia. Ou você teria a pachorra de negar que incentivou as pessoas a desrespeitar o isolamento social? Você seria cara-de-pau de negar que andou nas ruas sem máscara? As pessoas que pressionaram o Governador do Amazonas a cancelar o lockdown seguiam a quem? E os políticos que vibraram quando o governador cedeu, seguem a quem? Quantas vezes você falou em rede nacional para orientar a população nesta pandemia ou pelo menos para mostrar um mínimo de empatia? Usando uma expressão sua... zero.


Desde o princípio, a estratégia de Bolsonaro foi fugir da responsabilidade, transferir a culpa a Estados e Municípios. Quando Mandetta buscava fazer a necessária coordenação nacional do combate à pandemia, esclarecendo a população em coletivas diárias, Bolsonaro preferiu afastá-lo. Teich não levou um mês para entender que era impossível enfrentar a pandemia neste governo. E desde que Pazuello assumiu o Ministério da Saúde, o governo federal simplesmente lavou as mãos. E por isso, Presidente, suas mãos estão sujas. E não culpe o STF, porque isso é mais uma mentira. O Supremo Tribunal Federal não o proibiu de nada, Presidente, apenas autorizou Estados e Municípios a agirem, quando você se omitiu. Não engane seu povo com mais esta mentira. Não venda mentiras como quem vende a cloroquina, Presidente.


Pelo que relatam os médicos, a morte por sufocamento é uma das mais terríveis formas de deixar esta vida. Talvez alguém devesse contornar o pescoço de Bolsonaro com ambas as mãos, pressionar os polegares por um tempo, para que ele sentisse rapidamente o que sentem os sufocados. Para ter uma pálida ideia do que é sofrimento. Para provar um pouquinho só de angústia. O problema é que esta pessoa hipotética poderia ceder à tentação de continuar apertando este vil pescoço e claro, isso não é certo. O pior ser humano não merece esta morte. E, afinal, transformaríamos o erro em mártir; o covarde irresponsável em herói; o supremo omisso em estátuas nas praças do Brasil.


Os manauaras não merecem isso. Os brasileiros não merecem isso. Se tudo que você quer é omitir-se, senhor Presidente, ao menos tenha a hombridade de assumir esta decisão. Você que, nesta angustiante crise, disse que agora deveria estar na praia tomando cerveja, combina com omissão. Você combina com morte. Talvez por isso, por tudo isso, você seja o único brasileiro que contempla Manaus e não se revolta, não chora, não se desespera.


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