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O CAMINHO É O MESMO

A história se repete quando as lições do passado são negligenciadas...


Imagem deRon PorterporPixabay


O nazismo não surgiu da noite para o dia. Foi fruto de um processo hoje conhecido e estudado em aulas de história em todo o mundo. Descontentamento popular é o cenário. Aproveitadores com discursos nacionalistas são os atores. Violência é o enredo; e a religião é clamada como fator legitimador (como sempre, mas este é um assunto que merece um artigo à parte). Quase um século depois, ainda existem países, como o Brasil, seguindo os mesmos passos que levaram o povo alemão ao lamentável período do Terceiro Reich. O que nos leva a pensar em onde estaria o problema. A humanidade é incapaz de aprender com seus próprios erros? Se a resposta é sim, há dois candidatos a vilão: o sistema de ensino e a dificuldade cognitiva da maioria das pessoas. O primeiro, geralmente pura decoreba, de fato não é muito eficaz. Já o segundo, seria uma questão biológica, química, ambiental, cultural, ou meramente uma consequência do primeiro? Cada candidato poderia levar a um longo debate à parte. Assustador seria se a resposta para a nossa primeira questão fosse negativa, ou seja, somos capazes de aprender, mas continuamos errando por outro motivo. Afinal, se existe o consenso de que perseguir e dizimar minorias é errado, e que o totalitarismo é ruim, por que empurramos o Brasil aos mesmos trilhos que levaram a Alemanha a isso? Qual seria aquele outro motivo? Imagino novamente duas alternativas. A primeira: a maior parte da população não percebe que é o mesmo processo nocivo, o mesmo caminho. A segunda: a maioria percebe, mas simplesmente não se importa. Ambos os casos são assustadores, mas acredito que o segundo seja pior. Uma população que planta sementes de limão achando que metade pode virar laranjeira tem solução: educação, mesmo sendo um projeto a longo prazo. Já uma população de pessoas ruins e de mau caráter podem perpetuar sua maldade, e isso é extremamente preocupante. Teríamos que esperar que a bondade surja espontaneamente em pessoas com más influências familiares, o que não é tão provável que aconteça em escala nacional a ponto de virar uma tendência evolutiva. Enfim, é perigoso deixarmos a locomotiva brasileira nesses temerários trilhos, pois a estação final é o nazismo, com algumas paradas em plataformas “mais leves” de ditadura. As instituições brasileiras, que poderiam acionar uma alavanca de desvio dos trilhos, preocupantemente se limitam a acionar levemente os freios vez ou outra, eximindo-se assim de maiores responsabilidades. Por sua vez, parte da população ainda joga carvão na caldeira, enquanto entoa gritos de veneração a um lunático que está sentado em cima de um dos vagões com o quepe do maquinista.



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