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O IMPERADOR FILÓSOFO


Foi um personagem notável, imperador, general e filósofo.


Imagem de Luigi Suglia por Pixabay

Marco Aurélio foi considerado o último dos grandes imperadores romanos. Governou de 161 a 180 D.C. sucedendo Antonino Pio. Embora ocupado combatendo germanos ao Norte e partos na fronteira oriental, seu reinado foi considerado justo e progressista. Sua morte assinala, para muitos historiadores, o início da decadência do Império Romano e o fim da pax romana.


O que notabilizou Marco Aurélio, contudo, foi seu envolvimento com a filosofia, conhecido como o Imperador Filósofo. Professando o estoicismo, quase religiosamente, Marco Aurélio deixou uma obra ainda hoje muito lida - Meditações. Nesta obra percebe-se não um pensador profundo, mas um homem obcecado pela transitoriedade humana. Em meio aos preceitos estoicos e um pensamento firme, revela-se também o desprezo a tudo que é mundano, aliado a um olhar condescendente para os erros alheios.

Abaixo, alguns excertos de Meditações:


  • Rebaixa-te, minha alma, rebaixa-te! Não terás mais ocasião de honrar a ti mesma, que breve é a vida de cada um, a tua está prestes a terminar e tu, em vez de respeitares a ti mesma, colocas nas almas dos outros a tua felicidade.


  • Dificilmente vemos alguém sofrendo por não ter observado o que se passa na alma de outrem, mas por força há de sofrer quem não anda atento às comoções de sua própria alma.


  • Quem se deixa fascinar pela glória póstuma não imagina que cada um dos que o hão de lembrar morrerá logo por sua vez, e depois quem deles receber a lembrança, até se extinguir toda recordação na sucessão de fachos que se acendem e se apagam.


  • Ademais, toda e qualquer beleza é bela por si mesma e a si mesma se completa, sem compreender o louvor como parte; o que louvamos nem melhora nem piora com isso.


  • Tudo é efemero, tanto o que memora quanto o memorado.


  • Se alguém pode confundir-me e provar que estou errado em minhas opiniões ou atos, eu mudarei com prazer. Procuro a verdade; ela jamais causou dano a ninguém; dano sofre quem persiste no seu engano e ignorância.


  • As mudanças assustam? Mas pode alguma coisa ocorrer sem que haja mudança? Que há de mais caro e familiar à natureza universal? Não vês, então, que as mudanças em ti mesmo são fatos semelhantes e semelhantemente necessários à natureza universal?


  • Quando alguém falta para contigo, pensa imediatamente que ideia do bem ou do mal o levou a cometer a falta; quando o tiveres verificado, passarás a ter pena dele e não sentirás surpresa nem cólera.


  • É cômico não fugir à própria maldade - o que é possível; e querer fugir à maldade dos outros - o que é impossível.


  • Admira-me muitas vezes como cada um, embora ame a si mesmo acima de todos, dá menos valor à sua opinião a seu respeito que à dos outros.



Excertos retirados de Meditações, de Marco Aurélio - Coleção Os Pensadores - Vol. V - Abril Cultural - 1ª edição - 1973.



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