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VEXAMES DESNECESSÁRIOS


Lula é mau aluno.


Imagem de: www.slon.pics / Freepik

Infelizmente, Lula é mau aluno. Não ouve a orientação de seus bons conselheiros. Não aprende com os erros do passado. Por conta disso, anda passando alguns vexames desnecessários. Alguns destes vexames geram apenas risos debochados da oposição. Outros causam desastres.



Mantega na Vale - A semana correu com Lula tentando emplacar o ex-ministro Guido Mantega como CEO da Vale do Rio Doce. Aparentemente Lula pensa que precisa recompensar Mantega por sua lealdade no passado, durante a crise do governo Dilma. Na verdade, Lula deveria puni-lo, isso sim. Afinal, Mantega foi o responsável pelas pedaladas fiscais que - golpe ou não - foram a justificativa oferecida para o impeachment de Dilma. E acabou entregando o governo antes da hora com uma inflação alarmante. Então, não há razões para premiar alguém que teve uma atuação desastrosa no Ministério da Economia.


A questão é mais grave, contudo. Lula tentou uma indevida ingerência numa empresa privada de capital aberto. E tentou isso usando as influências e pressões que o governo federal pode fazer ou ameaçar fazer. Quem se prestou ao papel de menino de recados foi o Ministro da Indústria e Comércio, Alexandre Silveira. Ele usou o esquema manjado de ligar para conselheiros da VRD dizendo que o Presidente ficaria muito feliz com a indicação de Guido Mantega como conselheiro da companhia e, ainda mais feliz como CEO. E deixou nas entrelinhas a influência e as ameaças.


Ocorre que a fama de Mantega é tão ruim no mercado que a indicação não logrou êxito, mesmo usando o nome de Lula. Claro, a coisa toda caiu na imprensa que divulgou os fatos, papel que lhe incumbe mesmo quando tudo parece fofoca de adolescente. Lula recuou e Alexandre Silveira veio dizendo que o Presidente foi injustiçado neste episódio, que ele foi brutal e indevidamente atacado pela imprensa ( no final, tanto para a direita quanto para a esquerda, a culpa é sempre da imprensa ). Silveira teve a desfaçatez de dizer que ele nunca pediu ou insinuou a indicação de Guido Mantega para nada, simplesmente esquecendo de entrevista anterior onde declarava abertamente esta intenção.


Ao final, o Presidente sofreu um desgaste totalmente desnecessário, permitiu piadas mordazes aos opositores e provou que não tem tanta influência assim.



ABIN E ARAPONGAGEM - A semana também trouxe o escândalo da arapongagem na ABIN, a partir de investigações sólidas da Polícia Federal. Peraí, perguntaria alguém. Mas a ABIN não existe justamente para fazer arapongagem? Sim, amigo leitor. Mas quando a arapongagem visa uma ação concreta em defesa do Estado brasileiro e devidamente autorizada pelo Poder Judiciário. Ou seja, monitorar potenciais terroristas ou dilapidadores do patrimônio público. Felizmente, ainda há garantias constitucionais, malgrado todas tentativas do governo Bolsonaro em mandar todas garantias para o espaço.


O que se fez na ABIN foi xeretar a vida de desafetos de Jair Bolsonaro, procurando quaisquer deslizes para desmoralizá-los. E assim, monitoraram políticos, Ministros do Supremo, promotores de justiça e gente comum. Principal envolvido: Alexandre Ramagem. Até aí, nada de novo. Todo mundo sabia que Ramagem estava lá exatamente para isso. Flávio Bolsonaro e o próprio Ramagem já deram declarações dizendo que os dispositivos de arapongagem "apenas funcionavam com georeferência, nada mais". É uma desculpa inocente e deslavada. Primeiro que monitorar a localização de pessoas indevidamente já é bem grave. Segundo que ninguém acredita que tenha parado aí.


O problema é que a atual cúpula da ABIN buscou encobrir os fatos e dar cobertura a Ramagem. Novamente vemos o governo Lula pagando por más escolhas na ABIN, provando que tem confiado em quem não devia e passando vexames desnecessários.



GENOCÍDIO YANOMAMI - Mas o pior desgaste da semana restou por conta das notícias de que o garimpo ilegal nas terras yanomamis permanece e em crescimento. Crescimento menor do que ocorria no governo Bolsonaro, é verdade. Mas segue crescendo. E com ele cresce o genocídio do povo Yanomami, que simplesmente não consegue lidar com tanta gente destruindo a floresta e envenenando os rios com mercúrio.


É triste ver a incompetência do PT em tratar da questão. Novamente a esquerda passa a imagem de que é boa de garganta, mas péssima para executar as coisas. Passou-se um ano e os indígenas seguem morrendo, seja assassinados por garimpeiros, seja por desnutrição e doenças. E pouco tem adiantado o discurso. O que é preciso é ação. Colocar o exército e a marinha ( sim, senhores, a marinha patrulhando os rios da região ) para expulsar todos garimpeiros dali e montar um grande estrutura de apoio aos nativos. Claro, os resultados não serão imediatos, ninguém tem esta ilusão. Mas os números precisam cair e não continuar subindo.


Assim, tal qual nas notícias anteriores, Lula tem passado vergonha. Mas aqui a questão é muito mais grave, porque envolve a vida de pessoas. E a proteção aos povos indígenas foi bandeira do PT em campanha. Tal qual a proteção ao meio ambiente.

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