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O PRESIDENTE NÃO SABE O QUE FALA

A postura contraditória do Presidente da República pode comprometer a eficácia das campanhas de vacinação.




O governo brasileiro é incompetente. Sabemos, sofremos com esta convicção. O enfrentamento à pandemia da COVID-19 pelo governo federal é exemplo mundial de incompetência. Basta dizer que o governo não promoveu testes para identificar contaminados quando devia, ao passo que milhares de exames se perdiam em um galpão; basta acrescentar que o governo marcou passo na aquisição de vacinas, perdeu a corrida mundial por força desta inércia e, agora, paga mais caro e não consegue vacinas suficientes. Em Manaus presenciamos o horror de pessoas morrendo por falta de oxigênio; e o governo federal culpa o Estado e a Prefeitura, afirmando ( pasmem! ) que não fizeram o tratamento precoce. Isto para não acrescentar a absoluta ausência de comunicação com a população e, pior, a desinformação promovida pelo próprio Presidente da República. Bolsonaro é considerado, de forma quase unânime, o mais incompetente dirigente de país do planeta...


Agora, somos forçados a acrescentar a burrice à incompetência. Vejam só: Pazuello, nosso general que ocupa o Ministério da Saúde, acaba de anunciar que a vacinação nacional começa no próximo dia 20, mediante a distribuição de vacinas aos municípios de todo Brasil. Cada município se encarrega da vacinação de acordo com as ordens de prioridade. Trata-se de um início tímido da vacinação nacional, mas ainda assim a ser comemorado. Entretanto, não se iniciou nenhuma campanha nacional de esclarecimento e convocação da população para a vacinação em massa, por meio dos veículos de comunicação. Ora, a eficiência de uma vacina está na proporção direta do número de pessoas que são vacinadas. Estima-se que para debelar uma pandemia é necessário vacinar ao menos 70% da população. Pergunta-se: como atingir este percentual sem uma campanha nacional por rádio e televisão? Como obter este índice sem o convencimento da população por meio de uma campanha nacional de esclarecimento? Iniciar uma campanha de vacinação sem uma prévia campanha de comunicação é estúpido. Nenhum país do mundo faz isso, pois é desperdiçar esforços e recursos...


Nosso governo, entretanto, segue nas mensagens contraditórias. Ao encontrar-se diariamente com sua claque no Palácio da Alvorada, Bolsonaro pronuncia-se falando as maiores estultícies. 1. Diz que não vai se vacinar; 2. Diz que quem se vacina corre risco de virar jacaré; 3. Desacredita as vacinas; 4. Desacredita o uso de máscaras e outros tipos de prevenção. Como esperar que a população vá se vacinar em grande número se o exemplo de seu principal líder vai em sentido contrário?


As mensagens contraditórias que vêm do Planalto, além de contrapor discurso e necessidade, prejudicam o país de várias formas. O Presidente sempre pregou sua preocupação com a economia, com as paralisações das atividades não essenciais e com o prejuízo que os empresários têm sofrido. Contudo, quando a vacinação surge como uma realidade possível, adota postura de sabotador, afirmando dúvidas a respeito de sua eficácia. Logo contra a vacina que é a única real possibilidade da retomada da economia. Logo contra a vacina que é o caminho factível para o retorno à normalidade.


Muito se diz que o Presidente não sabe o que fala. Trata-se de uma pessoa ignorante, de formação precária, que tem a arrogância de desafiar as autoridades em seus respectivos campos de especialização. Assim tem, constantemente, desautorizado seus ministros, embora não entenda nada do assunto de nenhuma das pastas. Sequer da segurança pública. O Presidente é uma pessoa tosca e despreparada que infelizmente chegou ao poder. Muito se diz que o Presidente não sabe o que fala. Não sabe mesmo.

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