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oliveiras da palestina

Ilustração em estilo aquarela de uma pomba branca de asas abertas, pousada sobre um ramo de oliveira com folhas verdes e douradas. O fundo é branco com pequenos brilhos sutis.
“O retorno do pássaro branco / Em seu bico o ramo bíblico / A promessa de paz...” Ilustração conceitual para o poema de Marise Manoel.

Apresentação

Hatsuo Fukuda

No dialéticos.com gostamos de poesia – o autêntico real absoluto, como queria Novalis e repetia Fernando Pessoa na epígrafe de suas obras completas – em qualquer de suas formas. Seja em palavras, imagens, movimentos, ou nos raros momentos cotidianos em que nossa sensibilidade nos permite enxergá-la, viva e poderosa.

A poesia de Marise Manoel, por ela mesma declamada em seu canal do YouTube (Marise Manoel, Poetinha), é um retorno aos tempos imemoriais. É a lembrança de quando, ao redor das fogueiras, ouvíamos o bardo cantar as notícias da vida lá fora. Por um breve momento, entrávamos em comunhão com os deuses, ao som do crepitar dos gravetos e à luz das chamas oscilantes.


Se no poema anterior, Marise Manoel diz não, fomos apresentados à força da recusa, aqui testemunhamos a crônica de uma terra dilacerada. Acenda a sua fogueirinha, caro leitor, e ouça a doce poetinha.


Ouça "oliveiras da palestina", poema de Marise Manoel declamado pela própria autora. Uma obra potente que transita pela crônica da terra, a dor e a promessa de paz.

oliveiras da palestina


Marise Manoel


O corpo das oliveiras

Sua lanugem eriçada

Carne ferida e as chagas

Pilhado por mãos externas

Em colheita sinistra

Até o bagaço.


O fruto fendido com fúria

Seus corpos-criança

Ceifados

Sob o fósforo branco.


A dor das oliveiras.

Lâmina aguda invasora

Elas sangram

Salitre, pólvora, amargor

Insulto colonialista

O horror, o horror!


No sabor do fruto acetinado

Sonho campos verdes grávidos

Olivais

O retorno do pássaro branco

Em seu bico o ramo bíblico

A promessa de paz

Na terra ocupada.


Livre do extermínio e do ódio

Espalha-se do rio ao mar

doce frescor

O azeite novo


Fotografia colorida da poeta Marise Manoel sorrindo em um ambiente interno com parede de tijolos aparentes. Ela tem cabelos castanhos curtos, usa uma blusa preta e segura um leque aberto em tons de azul e branco à frente do rosto.

Sobre a Autora

Marise Manoel é poeta, pesquisadora e autora de obras como Galo sem Turno (1980), Perfil de Sal (1983) e Mundéus – poemas escolhidos (2022). Teve poemas premiados em festivais e presença marcante na imprensa cultural paranaense. Clique para ler a biografia completa e o poema Marise Manoel diz Não publicado no Dialéticos. Acesse o seu canal no Youtube aqui.


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