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POBRE SAÚDE BRASILEIRA!


Será que o Ministério da Saúde será sempre o palco da incompetência?


Imagem de: www.slon.pics / Freepik

À exceção do período Mandetta, a gestão da saúde pelo governo Bolsonaro foi sinistra: a condução da pandemia foi criminosa, ministros transitórios ou permanentes sem o menor conhecimento foram protagonistas de uma administração mambembe onde pontuaram a corrupção, o desprezo à cobertura vacinal e a ausência de políticas públicas.


Com o governo Lula imaginou-se que - contando com uma profissional gabaritada - as coisas entrariam nos eixos. Afinal, Nísia Trindade Lima não era um general que se dizia expert em logística. Ela havia conduzido a Fundação Oswaldo Cruz com muito êxito e é uma cientista respeitada nos meios acadêmicos. Com apenas 15 meses de governo já se pode dizer que as expectativas estavam muito altas.


Ora, se o governo Bolsonaro praticamente destruiu o sistema vacinal brasileiro ( vacinas vencidas, campanhas anti-vac nas redes sociais ), o governo Lula foi incapaz de reconstruí-lo. Fico realmente admirado com a absoluta ausência de campanhas públicas massivas incentivando a vacinação. Se fomos capazes de estabelecer um sistema público de vacinação que era exemplo em todo mundo, foi por conta de muitas, mas muitas campanhas de conscientização. Nos anos 70/80 - antes de marcar um dia de vacinação nacional - a televisão trazia campanha publicitária poderosa. Era o Zé Gotinha, eram artistas, eram atletas, todos conclamando o povo à vacinação. Os noticiários faziam cobertura dos eventos, com a imprensa fazendo seu papel de conscientizar a população. E as pessoas não se importavam de fazer filas para tomar uma vacina no braço ou pingar gotinhas na boca dos filhos.


Hoje, mesmo enfrentando o pior nível de conscientização vacinal da população, não se vê absolutamente nada. Essa omissão do governo Lula é imperdoável, inadmissível. Diante de tanta desinformação e falta de postura oficial, estamos correndo o risco do retorno de epidemias de sarampo, coqueluche, difteria, cachumba, paralisia infantil e outras doenças que pensávamos erradicadas. Vamos assistir o desnecessário retorno destes males de braços cruzados?


Pra piorar, a incompetência na gestão das vacinas é igual à desastrosa gestão Pazuello. Vacinas estão vencendo antes de chegarem à população. Remédios da farmácia popular estão em falta. Pessoas em busca do reforço na vacinação contra a COVID recebem a resposta negativa: acabou a vacina...


Vi uma entrevista da Ministra Nísia à Globonews onde ela tenta explicar o injustificável. Segundo ela, a ausência de vacinas para COVID decorreu de uma disputa entre dois laboratórios - a Pfizer e a Moderna - durante o procedimento licitatório. A Moderna venceu o pregão, mas a vitória foi questionada pela Pfizer. E contou essa lorota tranquilamente, como se isso fosse um fato absolutamente imprevisível.


A desculpa da Ministra só é engolida por quem não entende de administração pública, porque, rigorosamente, todos esses fatos são previsíveis. O Ministério da Saúde sabe - ou ao menos deveria saber - quando as vacinas vão acabar. Qualquer gestor público sabe - ou deveria saber - qual a expectativa para conclusão de um procedimento licitatório. Todo administrador público sabe - ou deveria saber - que frequentemente os procedimentos licitatórios são questionados judicialmente. Ou seja: tudo previsível.


Se tivesse iniciado os procedimentos licitatórios com a antecedência necessária - e notem, nada impede a antecedência, sobretudo com compra para entrega futura - a Ministra não precisaria passar vergonha e dar desculpinhas esfarrapadas. Não penso que seja demais pedir um mínimo de planejamento e organização, sobretudo num Ministério que tem um dos maiores orçamentos da União e esta imensa, gigantesca, cósmica responsabilidade.


Talvez seja duro para os administradores do PT serem comparados aos gestores do governo Bolsonaro. Bem, lamento... estão fazendo por merecer.

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