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POBRES OPÇÕES

O eleitor brasileiro merece melhor escolha…





Depois de um verdadeiro papelão e uma demonstração de incapacidade gerencial-administrativa, finalmente o PSDB encerrou sua convenção e apresentou oficialmente seu candidato. Deu o esperado, embora com pequena margem: João Dória. De qualquer modo, é de se parabenizar o partido pela realização de prévias, uma demonstração de que a democracia atinge internamente as decisões partidárias.


Com a recente candidatura de Sérgio Moro ( Podemos ) o quadro eleitoral vai lentamente se desenhando. E o eleitor brasileiro sério, preocupado com o futuro do país, vai ficando cada vez mais desalentado, tal a pobreza de escolha que a política brasileira atual está oferecendo.


Basta dizer que os dois candidatos mais cotados representam as piores escolhas possíveis. E que os demais candidatos não inspiram confiança, seja por velhas práticas, por falhas morais ou por falta de credenciais políticas de maior peso. Analisemos os nomes:


  • Jair Bolsonaro ( PL ) - Eventual reeleição no atual Presidente da República representaria o caos na terra. Literalmente, a vitória do mal. Se tudo que Bolsonaro já fez não levou você, leitor, a abandonar definitivamente qualquer ideia de votar nele, então, perdão, você tem algum problema. Porque você simplesmente não vê. Ou você é um radical fascista ou um zumbi do cercadinho. Em ambos os casos, você não vê. Afinal, o Jair não tem capacidade para gerir o pior boteco de muro de caserna. Além disso, tem vocação autoritária e pretensão a eternizar-se no poder. De quebra acrescento algumas de suas credenciais: incompetente, boçal, miliciano, genocida, preconceituoso, corrupto, etc…


  • Lula ( PT ) - Tal qual Bolsonaro, caro leitor, se você ainda vota em Lula, perdão, você não vê. Ou você é um radical de esquerda ou tiete do ex-Presidente. Em ambos casos, você não vê. Bastaria dizer que Lula traiu as ideias de seu próprio partido. Governou aliando-se a banqueiros, empresários corruptos e ao centrão ( o mesmo centrão que sustenta Bolsonaro ). Isso deveria ser suficiente para qualquer petista sincero desistir de Lula. A maior corrupção de que se tem notícia no país até agora ocorreu sob a benesse de Lula: o petrolão. Sim, eu sei, a condução das investigações da Lava-Jato e do próprio processo sofreu muitas mazelas, tanto que ocorreu a anulação. Mas o fato é inegável. As provas são evidentes. Houve petrolão, assim como o triplex de Guarujá e o sítio de Atibaia não são histórias da carochinha. A única vantagem que Lula apresenta frente a Bolsonaro é a convicção de que um novo governo do PT será obrigado a seguir dentro da institucionalidade. Este quadro faz de Lula uma amarga e desesperada opção a ser exercida somente na hipótese - provável - de um segundo turno contra Bolsonaro. Aí você vota nele e diz: fazer o quê?


  • Sérgio Moro ( Podemos ) - As pessoas que valorizam princípios fazem muitas objeções ao ex-juiz, ex-ministro Sérgio Moro. Como juiz conduziu processos da Lava-Jato trocando figurinhas com o Ministério Público. Não há argumentos que justifiquem este comportamento. Qualquer advogado sabe que o juiz não pode combinar formas de atuação com a promotoria. Com sua eticamente reprovável condução acabou responsável pela anulação do processo. O medidor de comportamentos nada éticos atingiu o ápice quando Sérgio Moro aceitou compor o governo de Bolsonaro como Ministro da Justiça. Esta ideia nem passaria pela cabeça de uma pessoa séria. Primeiro porque, se você se junta a Bolsonaro, já comprometeu sua reputação. Não é possível pular na lama e sair imaculado. Segundo porque, se Moro achou que neste governo iria realmente combater a corrupção, mostrou-se um tolo ingênuo. E finalmente, sua gestão como Ministro assustou quem defende os direitos humanos - defendeu, por exemplo, a famigerada excludente de ilicitude na atuação da polícia ( leia-se licença para matar ) e fez vistas grossas aos desmandos de Bolsonaro. Tudo somado, não dá. Se você valoriza princípios, não dá.


  • Ciro Gomes ( PDT ) - Ciro talvez pudesse galvanizar uma centro-esquerda séria, disposta a renovar a maneira de fazer política neste país. Suas ideias de governo, deixando de lado umas excentricidades inexequíveis, são, no geral, bastante razoáveis. O problema reside no fato de que, ao que parece, o tempo de Ciro passou. As pessoas cansaram de vê-lo tentando, tentando… Além disso, remanesce nele traços da maneira bruta, truculenta de comandar, que marcaram seu nome por muito tempo. Em linguagem bem popular: tipo assim, um coronelzão da esquerda. A pobreza dos nomes é tal, que talvez você acabe balançando a cabeça desanimado e teclando 12 na urna eletrônica.


  • João Dória ( PSDB ) - Ambição política não é, necessariamente, um defeito. Mas quando vejo a ascenção meteórica de Dória, a maneira fácil com que se livre dos compromissos do mandato para buscar suas ambições ( como ocorreu na Prefeitura de São Paulo ), torço o nariz. Quando percebe que ele representa as elites, ponho um pé atrás. Entretanto, a gestão dele em São Paulo ( tanto na capital quanto no Estado ) não foi ruim. E ainda que movido por motivos políticos, não fosse Dória e o Instituto Butantã, ainda estaríamos nos arrastando atrás de vacinas. Então, também, tal qual com Ciro, se você for de centro-direita, talvez balance a cabeça desanimado e tecle 45.


  • Rodrigo Pacheco ( PSD ) - Este é, literalmente, o político convencional. Postura, palavrório bem colocado ( ainda que defendendo absurdos ), uma incrível capacidade de relacionar-se com outros políticos e uma lamentável capacidade de fingir que não vê coisas que mereceriam a mais veemente condenação. Foi assim que tentou barrar o quanto pode, abusando de seus poderes, a CPI da COVID; foi assim que, junto a Arthur Lyra, defendeu a não divulgação da distribuição dos recursos do orçamento secreto ( algo que ofende os princípios constitucionais mais comezinhos, como moralidade e publicidade ). Abro um parêntesis importantíssimo: a não divulgação da destinação dos bilhões do orçamento secreto é o maior assalto ocorrido no Brasil. Multiplique por 15 o maior assalto até então verificado ( Banco Itaú - Avenida Paulista - 2011 ). Ah, sim, Pacheco é um sobrevivente, não há dúvida. Mas alguém que para sobreviver faz qualquer negócio, negocia qualquer valor. Eu não embarco nessa.


Você pode somar a esta lista alguns nomes que sempre estão presentes ( Boulos, Marina… ) e outros nomes que representam partidos de aluguel. O quadro não muda em nada, seja porque representam ideias radicais, seja porque não têm peso eleitoral. O quadro traçado é mais ou menos esse. Lamento, eleitor brasileiro. Ia concluir dizendo que você merecia mais, mas depois de 2018 acho que não merece.


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