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TROFÉUS MANCHADOS

Porque atleticanos conscientes ficam constrangidos com as duas copas recentemente conquistadas.

Imagem de Arek Socha por Pixabay

Vivemos tempos em que a memória curta põe medalhas no peito de quem não merece. Sobretudo no campo esportivo – e neste, o futebol é o mais insano – bastam alguns resultados positivos para elevar indivíduos de passado/métodos duvidosos aos pedestais supremos da competência.


Assim como há vascaínos que ainda idolatram Eurico Miranda, entre os atleticanos Petraglia é quase unanimidade. Afinal, os resultados estão aí: Copa Sulamericana em 2018, Copa do Brasil em 2019. Como estes resultados foram obtidos é uma pergunta incômoda que os torcedores preferem não formular. E a razão é muito simples: a maneira como estas conquistas vieram lança nódoas indeléveis nestes troféus. São copas manchadas.


Explico: é muito fácil fazer futebol usando dinheiro público. E a realidade – irrefutável e vergonhosa – é que o Atlético Paranaense ( recuso-me a usar o ridículo h ) deve aos cofres públicos quase meio bilhão de reais. MEIO BILHÃO DE REAIS! E não me venham com aquela lorota: isso é dívida do estádio, não tem nada a ver com a formação do elenco. Ora, se o CAP pagasse esta dívida, poderia ter montado o elenco que ganhou estes títulos? Com meio bilhão de reais a menos, o desempenho no futebol seria o mesmo?


O clube alega que a obra custou mais do que o previsto e por isto insiste em partilhar o excesso com Estado do Paraná e Município de Curitiba. Ocorre que custou mais por superfaturamento – superfaturamento que ocorreu em todas arenas da Copa do Mundo de 2014. Lembram das famosas cadeiras caríssimas e outras irregularidades nebulosas? Estado e município não têm nada a ver com isso, porque não gerenciaram as obras. Foi o Atlético, ou melhor, foi Petraglia. Afinal, atleticanos, Petraglia é o Atlético. Será que, por consequência, devemos entender que todo o resto é um bando de zumbis eviscerados que querem gritar gol a qualquer custo?


É o mesmo Petraglia que no passado esteve envolvido com a máfia do apito. O mesmo Petraglia que já construiu duas baixadas, com interesses particulares envolvidos. O mesmo Petraglia que fazia negócios estranhíssimos com o Leste Europeu ( vendendo jogadores de pouca projeção por quantias que nenhum empresário razoável pagaria?! ).


Não duvido que mais cedo, mais tarde, algum deputado apresentará um projeto para anistiar a dívida do Atlético. Já há deputados que se exaltam com qualquer indagação em torno do problema. Estes dias, legitimamente preocupado com os cofres públicos, o deputado Anibelli perguntou sobre a dívida do Atlético ao Secretário da Fazenda. Foi o que bastou para o deputado Romanelli fazer uma cena, como se a questão pudesse simplesmente ser varrida para debaixo do tapete… Não podemos varrer o interesse público. Aliás, neste sentido, o Ministério Público também está omisso e pouco fazendo para corrigir a situação.


Aos atleticanos conscientes, peço que valorizem o título brasileiro de 2001. Enalteçam o quarteto mágico – Kelly, Gabiru, Cleber e Lucas. Valorizem seus esforços e sua conquista. Pois esta, ao contrário destas duas copas, não está manchada pela dívida com toda sociedade paranaense.

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