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VOZES RESPONSÁVEIS

São muitas e abalizadas as vozes que se unem para protestar contra a política de Bolsonaro para a liberação de armas.




O ex-Ministro da Defesa, Raul Jungmann, adicionou sua voz ao coro de protestos contra a política de Jair Bolsonaro para armas e munições no Brasil. Apenas para recordar, ao longo de vários decretos, desde o início de seu governo, Bolsonaro já estendeu sua política armamentista até o seguinte ponto:



  • Um suposto colecionador pode adquirir até 60 armas;

  • Um suposto caçador pode adquirir até 30 armas;

  • Um cidadão comum pode adquirir até 6 armas;

  • O rastreamento de armas e munições está cada vez mais precarizado, de forma que se torna impossível para as autoridades monitorá-las;

  • Armas antes de uso exclusivo das forças armadas, agora estão franqueadas às pessoas comuns.


Jungmann classificou estas medidas como uma ameaça à democracia, pois politizam uma questão de segurança pública e estimulam a guerra civil, e o país pode ver repetidas aqui cenas como a invasão do capitólio americano nas eleições de 2022.


Exagero? Não, caro leitor. Basta pensar. Há muito de falácia e outro tanto de oculto no discurso de Bolsonaro. A falácia está na ideia de que o Presidente quer apenas armar o cidadão comum para defender-se da criminalidade. Francamente! Mesmo você, cidadão honesto que deseja ter uma arma em casa para proteger sua família, compreende que sua necessidade não ultrapassa um 38 e, digamos, duas dúzias de balas. Além disso, você, cidadão honesto que pensa desta forma, não se importa de ver sua arma e munição monitorados, não é mesmo? Afinal, suas intenções são lícitas e honestas, limitam-se à legítima defesa. O argumento é mentiroso, portanto.


Quando Bolsonaro libera um número absurdo para cada pessoa, impossibilita o monitoramento e faculta acesso a armas antes restritas ele tem duplo objetivo: a) favorecer as milícias do Rio de Janeiro, com quem mantém, sabidamente, estreitas relações; afinal, a quem interessa dificultar o monitoramento de armas/munições? b) formar milícias civis armadas, passo decisivo em todas escaladas autoritárias rumo a uma ditadura, de esquerda ou de direita.


Ora, um suposto colecionador ( com 60 armas ) e um suposto caçador ( com 30 armas ) armam um pelotão de bolsonaristas fanatizados. Milícias civis raivosas e armadas: podemos imaginar pesadelo pior que este? Imagine, leitor, quando Bolsonaro perder sua tentativa de reeleição em 2022 - o que é provável diante de seu péssimo governo - o que farão bolsonaristas armados? O que farão estes pelotões de fanáticos de extrema direita quando Bolsonaro, imitando Trump, recusar-se a aceitar o resultado das urnas, alegando que houve uma fraude?


E quando estes pelotões armados forem às ruas, como se comportará a Polícia Militar? Como se portará o Exército? Alguém tem segurança nesta resposta? Então, sim, o alerta feito por Raul Jungmann em carta aberta ao Supremo Tribunal Federal é muito oportuno. E visionário. E assustador. Que outras vozes possam unir-se a ele para impedir a escalada da violência e autoritarismo neste país.


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