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3 CONTOS SOBRE GOLFE - II


Em três domingos, apenas para quem ama o golfe.


Imagem de Freepik.

HOJE É DOMINGO!


-- Hoje é domingo..... aahhhh (soltou o ar de uma forma satisfatória) dia de golfe. Se tem um dia que simboliza esse esporte é o domingo com certeza. Assim como segunda é o dia do trabalho e sexta é dia de happy hour, domingo é dia de golfe. O sol mal tinha saído e começado a me esquentar e eu já estava me preparando para o duelo, afinal tenho uma reputação a zelar. Bom, não sei se você sabe mas tenho um jogo marcado com o meu grande amigo todo domingo de manhã já faz uns 20 anos. Devo admitir que no começo era muito mais fácil ganhar dele, devo ter umas 500 bolinhas perdidas que ele mandou no mato, no lago ou simplesmente em um fairway de um buraco vizinho e nunca mais achou rsrs. Atualmente o negócio é diferente ele já tem um jogo muito mais consistente e nos dias em que está inspirado ele ganha de mim, não são muitos é claro, mas devo admitir as raras ocasiões em que sou derrotado.


No horário marcado estamos nós no Tee do 10 esperando ele se aquecer para começar nosso embate semanal (não sei o por que mas ele gosta de começar pela segunda volta, deve ser superstição ou simplesmente o costume de todos esses anos). De tacada em tacada vamos nós aproveitando a companhia um do outro. Até os primeiros 4 buracos ele estava ganhando, jogava – 1 (um Birdie e três pares) sempre jogou bem esse começo. O que me resta é a confiança nos meus greens rápidos da primeira volta e o amen corner (aqueles 5 buracos que ele sempre dava um jeito de se complicar com as bancas e minhas curvas bem posicionadas).


Ele sempre muito focado querendo a vitória e eu sempre o lembrando de aproveitar o momento, soltando aquele canto de João de Barro que parece mais uma gargalhada descontrolada quando ele bate aquele Shank vergonhoso. Pego de surpresa pela espirituosidade do momento, caímos os dois na risada. O jogo vai continuando e ele começa a se perder. De errinho em errinho vai vendo a sua vantagem indo para o espaço.


-Triplo bogeeeeeey... aahhh não, aí já é demais. Quem faz um Birdie e um triplo no mesmo jogo aaahhhh. -- Esbravejou meu companheiro reclamando de sua falta de sorte (ou habilidade).


Andando pelos buracos se depara com a beleza e uma paz interior que só um campo de golfe é capaz de proporcionar e com o passar de seus passos determinados a frustação dos erros cometidos dá o lugar para a vontade de uma bola bem batida. Não um Birdie ou um Eagle... não. Uma bola bem batida. Ele se prepara para bater o seu driver ajeitando milimetricamente o seu pino. Olhou para o horizonte do seu fairway, ajeitou seu stance e seu grip e sem pensar mais em nada além do que aquele momento, ele a bolinha e o campo, desceu o cachorrão. ZHIIIMG......


Ahhhhh uma batida bem dada, o impacto com a dura bolinha parecia mais um algodão sendo empurrado, o movimento do seu braço parecia o mais natural dos compassos descendo em perfeita harmonia, o pino laranja indo para trás, a bolinha que não pára de voar naquela linda trajetória de 45° graus e o barulho.... o barulho é um silvo viciante que tentamos aproveitar ao máximo... eternamente naquele um segundo.


- Uhuuuuuullllllll agoraaaaa siiiiimmmmm. – Pula e comemora o golfista orgulhoso. – Por que não consigo bater sempre assim? Comenta em tom jocoso rindo de sua própria inconstância.


Sei que somos mais do que parceiros de jogo, sei que sou um refúgio, sou uma forma de manter ele afiado e ativo para a vida, sou seu confidente, sou eu quem faz ele voltar a ser um travesso menino que só quer se divertir e brincar do que mais ama até o pôr do sol... E por mais estranho que pareça ele sabe que estou sempre aqui para ele, com meus lindos verdes braços abertos. Com o fim do jogo ele olha para traz para mim com aquele sorriso de canto de boca de quem já está com saudades e diz:


-- Você ganhou de novo eim, velho amigo! Na próxima não vou deixar escapar... te vejo como sempre no nosso Domingo!

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