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JAMES JOYCE ESCREVE POEMAS DE AMOR. PARA PROSTITUTAS.

Os poemas de Chamber Music foram escritos quase todos em Dublin, na juventude de James Joyce, e foram tirados da obscuridade em grande parte pelos esforços do irmão de Joyce, Stanislaus. James chamava os poemas de “poemas de amor”, e Stanislaus o criticava, dizendo que seria mais conveniente chamá-los de “poemas de prostitutas”, em vista da fonte de inspiração.
Retrato do Artista quando Jovem

Os poemas de Chamber Music foram escritos quase todos em Dublin, na juventude do escritor, e foram tirados da obscuridade em grande parte pelos esforços do irmão de Joyce, Stanislaus (além de Yeats e Ezra Pound). José Maria Martin Triana, tradutor de Joyce para o espanhol, narra uma discussão com o autor. Este chamava os poemas de “poemas de amor”, e Stanislaus o criticava, dizendo que seria mais conveniente chamá-los de “poemas de prostitutas”, em vista da fonte de inspiração.


- Por que não? Por acaso grande parte da poesia lírica não corresponde a esta definição? Você é um tedioso moralista.

- Longe disso. Mas é melhor chamar as coisas pelo seu verdadeiro nome e este é o nome correto.

- É e não é.  


Joyce deu por encerrada a discussão.


Ezra Pound dizia que o verdadeiro Joyce era o autor de Chamber Music, o homem sensível, contrário ao irlandês barraqueiro que se apresentava ao mundo (e que se inspirava em prostitutas, conforme o irmão).


Tire suas próprias conclusões.


Apresento a versão original, acompanhada de uma tradução que retirei do site poets.org. No site não há indicação de autoria, razão pela qual não dou o nome do tradutor. (Hatsuo Fukuda)


No youtube você encontrará vários vídeos com interpretações do poema I HEAR AN ARMY.

I HEAR AN ARMY

 

I hear an army charging upon the land

And the thunder of horses pluging,

Foam about their knees.

Arrogant, in black armour, behind them stand

Disdaining the reins, with fluttering

Whips, the charioteers.

They cry unto the night their battlename:

I moan in sleep when I hear afar their

Whirling laughter.

They cleave the gloom of dreams, a blinding flame,

Clanging, clanging upon the heart as upon an anvil.

They come shaking in triumph their long green hair:

They come out of the sea and run shouting

By the shore.

My heart, have you no wisdom thus to despair?

My love, my love, why have you left me alone?


EU OUÇO UM EXÉRCITO

Ouço um exército avançando sobre a terra,  

  E o estrondo dos cavalos em disparada, espuma até aos joelhos:  

Arrogante, em armadura negra, atrás deles está de pé,  

  Desdenhando as rédeas, com chicotes a ondular, os cocheiros.  

  

Eles clamam para a noite o seu nome de batalha:       

  Eu gemo enquanto durmo ao ouvir, ao longe, suas risadas rodopiantes.  

Eles rasgam a escuridão dos sonhos, uma chama ofuscante,  

  Um clangor, um clangor no coração como se fosse uma bigorna.  

  

Elas chegam sacudindo triunfantemente seus longos cabelos verdes:  

  Eles saem do mar e correm gritando pela praia.

Meu coração, não tens sabedoria para desesperar assim?  

  Meu amor, meu amor, meu amor, por que você me deixou sozinho?

(Versão para português do site poets.org.)


Música de Camara (Chamber Music), de James Joyce, tradução de José Maria Martin Triana para o espanhol.

Música de Camara (Chamber Music), de James Joyce, tradução de José Maria Martin Triana para o espanhol.

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