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A PGR DE JOELHOS

O nível de engajamento da cúpula do Ministério Público Federal ao governo Bolsonaro não tem precedentes.




Apenas um dia após a confirmação da CPI da COVID, a subprocuradora Lindôra Araújo enviou um ofício a todos os governadores do país para que respondam - em cinco dias - sobre as razões que levaram ao fechamento dos hospitais de campanha. Lindôra quer saber se os governadores julgaram que a pandemia caminhava para o seu encerramento e o que foi feito com os recursos federais encaminhados para sua instalação. O ofício complementa pedidos de informações feitas há cerca de um mês, mas agora Lindôra exige que a resposta seja assinada pelos próprios governadores.


Alguém desavisado poderia supor que se trata apenas da Procuradoria Geral da República fazendo seu trabalho, mas claramente não é. Ao contrário, trata-se de uma óbvia demonstração do aparelhamento político do Ministério Público Federal. Quando, desrespeitando a escolha da classe, Bolsonaro indicou Augusto Aras para o cargo, visualizava-se sua intenção de subjugar e colocar à sua disposição o Ministério Público Federal. Bolsonaro preocupava-se com os muitos escândalos que envolvem seu clã, das rachadinhas ao envolvimento com as milícias do Rio de Janeiro.


Em pouco tempo, provavelmente seduzido por uma possível indicação ao Supremo Tribunal Federal, Aras mostrou a que veio. Suas primeiras medidas foram:


  • Arquivamento da notícia-crime contra o clã Bolsonaro pelos perfis falsos nas redes sociais espalhando fake news - O famoso caso em que o próprio Facebook, pressionado, retirou contas de diversos funcionários dos Bolsonaro da rede, por entender que eles eram fonte de notícias falsas e desinformação;

  • A Subprocuradora-Geral Lindôra Araújo, depois de dizer que a corrupção passiva de Arthur Lyra estava devidamente comprovada, mudou subitamente de ideia e pediu o arquivamento da denúncia. Há três meses atrás havia dito nos autos que (sic ) resta provado, para muito além de meras palavras de colaboradores, que o Deputado Federal Arthur César Pereira de Lira recebeu, em duas vezes, indiretamente, vantagem indevida de R$ 1.598.700,00 (um milhão, quinhentos e noventa e oito mil e setecentos reais), em razão da função pública, provenientes de valores desviados de obras da Queiroz Galvão.

  • Encerramento das ações da Lava Jato. Em que pesem as merecidas críticas direcionadas à Lava Jato, é certo que em suas inúmeras fases o grupo especial de procuradores prestou relevantes serviços no combate à corrupção no Brasil. O encerramento da Lava Jato agrada ao centrão, sobretudo a Arthur Lyra, além de atender aos interesses do próprio Bolsonaro.


Lindôra Araújo é o braço direito de Augusto Aras. Muito mais do que isso, é amiga da família Bolsonaro e bolsonarista de carteirinha. Portanto, não possui isenção em suas ações oficiais. É claro que se podem investigar governadores acerca dos recursos empregados ( e desperdiçados ) em hospitais de campanha. O que se indaga é: por que Lindôra pouco fez antes da consumação da CPI da COVID? Por que Lindôra e Aras quase nada investigaram sobre os inúmeros escândalos que cercam a gestão da pandemia pelo governo federal?


É claro que o governo federal teria muito a explicar ao Ministério Público Federal, mas a gestão Aras é dominada pelo Planalto. Ou será que não é preciso explicar os milhões gastos com cloroquina e ivermectina? Será que o MPF não tem interesse em descobrir quem lucrou com os milhões que as vendas de cloroquina e ivermectina proporcionaram? A ivermectina, com o garoto propaganda presidencial, subiu suas vendas em mais de 500% e a cloroquina em mais de 100%...


Será que o MPF não deveria investigar os pronunciamentos presidenciais e seus criminosos comportamentos? E a perda de milhares de testes da COVID, esquecidos em um galpão? E a omissão na compra de vacinas? E a crise de oxigênio? Nada disso lhe interessa, subprocuradora?


A verdade é que a CPI da COVID é a mais importante de toda história republicana e está incomodando muito o governo federal. O aparelhamento do MPF mostra-se evidente, a partir das suas figuras de proa e de suas atitudes/omissões. Temos certeza de que isso revolta a maioria dos valorosos e combatentes membros do Ministério Público Federal que, por sinal, deveriam manifestar-se publicamente a respeito. Afinal, nunca antes se viu a PGR tão abjetamente ajoelhada frente ao governo federal.


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