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BLUE MOON



Dia 30 de agosto teremos uma Blue Moon. Só há uma trilha sonora para a noite de lua cheia.


Imagem de Space.com



Todo mundo conhece a canção, ou pelo menos deveria conhecê-la. É um dos clássicos do Great American Songbook, a coleção de grandes canções que povoou o imaginário dos amantes da música popular em todo mundo. Quantas vezes um amante apaixonado e esperançoso a ouviu e suspirou (o suspiro aqui é inevitável).

A trajetória da canção, de Lorenz Hart e Richard Rodgers, como todo grande acontecimento, não foi simples. Criada para um filme obscuro no início dos anos 30 (Jean Harlow iria cantá-la) que não chegou a ser usada, Hart produziu uma nova letra para um outro filme. Esta foi utilizada no filme, mas nunca chegou a ser lançada. O chefe dos estúdios da companhia musical acreditou na canção e pediu uma letra mais agradável ao público, prometendo lançá-la costa a costa. Hart, persuadido, escreveu uma nova letra (a terceira). E assim nasceu Blue Moon:


Blue moon

You saw me standing alone

Without a dream in my heart

Without a love of my own


Desde então, a canção foi gravada por todos, no mundo todo. Frank Sinatra, Tony Bennet, Elvis Presley, Ella Fitzgerald, Billie Holiday, Julie London gravaram. Willie Nelson gravou, idem Bob Dylan. Há um registro dos Beatles, no álbum branco. Rita Lee fez uma versão em português. Eu gosto muito da versão de Jo Stafford, que você pode encontrar no álbum World War II, uma coletânea de canções do tempo da guerra, com vários cantores e cantoras. Há para todos os gostos.


Trata-se de uma canção melancólica a que Hart, para alegria dos apaixonados, concluiu com um final feliz.


Blue moon

Now I’m no longer alone

Without a dream in my heart

Without a love of my own


Mestres da música e do show business, Hart e Rodgers sabiam como cativar o público. Este não quer a dura realidade dos amores rejeitados e das pessoas solitárias. Seja no cinema ou em uma canção, a excessiva tristeza afugenta as pessoas. Basta a melodia totalmente depressiva, cavando fundo no vazio existencial e amoroso da humanidade. O alívio é dado pela segunda parte da letra, contrastando com a melancolia da música.


Judy Garland - Hart & Rodgers - Imagens de Wikipedia


Algo semelhante aconteceu com Have Yourself a Merry Little Christmas do filme Meet me in St. Louis (Agora seremos felizes), interpretada por Judy Garland. Na versão original, a canção dizia “Have yourself a merry little Christmas/It may be your last/Next year we may all be living in the past”. Porrada. Cantada por uma jovem à sua irmãzinha, temerosa do futuro. Garland objetou, e a canção recebeu uma nova letra, amenizando a natureza depressiva. Ficou assim: “Have yourself a merry little Christmas/let your heart be light/Next year all our troubles will be out of sight. Mesmo assim, tristíssima – ouça-a sem vir lágrimas nos olhos – se isso acontecer, você é um monstro sem coração. Anos depois, Sinatra a gravou, com uma outra letra, ainda mais amena.


Quando estiver com saudades dos Natais de antanho, ouça ambas as versões. Não esqueça os lenços.



No dia 30 de agosto teremos uma Blue Moon. Seja você um dos felizardos que não está mais sozinho, seja um dos milhões que oram por um amor verdadeiro, aproveite. No começo da noite ela está mais exuberante. Em um dos parques da cidade poderá ser melhor apreciada.

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