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COMO SE CONTARÁ O MITO

Mitos podem representar forças positivas/construtivas ou negativas/destrutivas.



Há muitos, muitos anos atrás, quando a Nova República tinha pouco mais que trinta anos, surgiu um mau líder que conseguiu tomar o poder. Ele não chegou ao poder pela força, foi eleito democraticamente. As pessoas estavam desgostosas com o governo e clamavam por mudança. E para não permitir a continuidade do governo, que era realmente ruim, fecharam os olhos para todos os defeitos do mau líder. Isso foi mesmo impressionante, pois o homem mau só tinha uma virtude: era transparente. Ele não escondeu seus defeitos, ao contrário, apresentou-os escandalosamente. O mau líder era preconceituoso, misógino, violento, mau preparado para o cargo, intelectualmente limitado e com um histórico preguiçoso de trinta anos de vida pública. Ainda assim, a vontade de mudança era tão grande que o povo ficou cego. E o mau homem chegou ao poder.


Uma vez no poder, continuou transparente, verdade seja dita. Governou como se esperava que fizesse. Tirou recursos da educação e da pesquisa científica; mostrou menosprezo à defesa da ecologia e das minorias; tomou medidas para encobrir seus crimes e de seus familiares; criou inúmeros problemas com nações estrangeiras; sacrificou os maiores interesses de seu povo pelos seus interesses de poder; formou um ministério fraquíssimo, sobretudo na Educação, Meio Ambiente e Relações Exteriores. E os ministros que se destacavam eram por ele boicotados, porque o mau homem era também vaidoso. Não admitia que ninguém se destacasse mais do que ele. Dizem que tinha um espelho mágico ao qual se dirigia diariamente com a pergunta:


-- Espelho, espelho meu, há algum ministro mais popular do que eu?


-- Sua popularidade permanece forte com seu eleitorado cativo. Com os demais, vem caindo gradativamente. Sérgio Moro é mais popular que você.


Outro dia a resposta foi outra:


-- Por estar fazendo um bom trabalho, Mandetta é muito mais popular que você.


O homem mau tomava medidas para anular tais ministros. Foi um período de muito obscurantismo, pois como todo homem poderoso, o homem mau era cercado por bajuladores, pessoas com ideias muito distantes das verdades da ciência. E assim seguiu seu governo pensando unicamente em seu projeto de manutenção do poder.



Mitos são, em verdade, relatos fantásticos transmitidos pela oralidade. Os mitos podem encarnar forças da natureza, divinas ou, ainda, representar aspectos gerais do ser humano. Assim ensinam os dicionários. A Wikipédia acrescenta que mitos possuem caráter simbólico-imagético que evolui de acordo com as condições históricas e étnicas de uma cultura.


Isto considerado, os mitos podem ser positivos ou negativos. Podem ter colaborado para a construção de uma sociedade, ou destruído uma civilização. Podem ser lembrados como seres heróicos ou como seres extremamente desprezíveis. Provavelmente os bolsonaristas que entoam o coro de mito, mito, mito, não têm conhecimento disso


O resto da história deste mito ainda está por ser construída. Será um caminho de repetição de maus exemplos do século XX, período fértil em projetos autoritários e na formação de ditaduras? Até agora, certamente Bolsonaro empenha-se neste sentido, sendo obstado pela solidez de nossas instituições ( Congresso Nacional, Supremo Tribunal Federal, OAB, entre outras ).


Eu sinceramente espero que a hipotética história mítica narrada no começo deste texto jamais chegue a existir. Que os homens do futuro jamais cheguem a escutar narrativa semelhante. Que a ideia de mito envolvendo Bolsonaro não passe de delírio de puxa-sacos descerebrados. Que Bolsonaro simplesmente desapareça e seja esquecido. O destino justo para toda mediocridade.



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