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CPI DA COVID III

Iniciam-se os trabalhos…

Imagem deJL GporPixabay


Ontem, no primeiro dia de depoimentos, a CPI da COVID ouviu o ex-Ministro Luiz Henrique Mandetta. O resultado foi o esperado, ainda que Mandetta tenha buscado o máximo comedimento. Ele depôs por muitas horas e foi pressionado por governistas. Mas Bolsonaro foi indubitavelmente comprometido.


Senadores governistas buscaram, de início, perturbar os trabalhos com longas e desnecessárias questões de ordem, algo que o Presidente Omar Aziz driblou com habilidade. Quando Mandetta depôs, fez a princípio a defesa de sua gestão, com longo e pormenorizado relatório que chegou a ser interrompido por ultrapassar seu tempo. Questionado, Mandetta deixou claro os seguintes pontos:

  • Que orientava o Presidente de acordo com os ditames da ciência; que Bolsonaro ouvia e compreendia o que lhe era dito. Mas que depois comportava-se de maneira contrária à orientação;

  • Que como não houve campanha pública de conscientização da população, foi necessária a prática das entrevistas diárias. Com elas objetivava orientar a população sobre as medidas de higiene, isolamento social e uso de máscaras e, ao mesmo tempo, transmitir os números relativos à pandemia;

  • Que depois de sua saída houve descontinuidade em importantes políticas públicas de combate à pandemia, notadamente relativas aos testes para identificar a COVID e os procedimentos correlatos ao teste positivo;

  • Que o Presidente era supostamente assessorado por outras pessoas que insistiam em minimizar a importância das medidas de isolamento e na prescrição da cloroquina. Que chegaram mesmo a sugerir que a ANVISA mudasse a bula da cloroquina para incluir a prescrição de combate ao coronavírus, algo que não foi aceito pelo Presidente da ANVISA, Barra Torres;

  • Que foi afastado por não seguir as pressões do Planalto, já que não pediria para sair, pois via no Brasil o seu paciente, a quem não podia eticamente abandonar;

  • Que embora não tenha havido uma discussão dura com o Presidente, a dubiedade de seu comportamento - por não usar máscaras, por estimular aglomerações - tornava o combate à pandemia menos eficiente, porque criava dúvidas na população.

  • Que o combate a pandemia pelo Brasil poderia ter sido muito mais eficiente, se adotadas as medidas corretas. Que alertou Bolsonaro de que em fins de 2020 o Brasil teria 180 mil mortos, previsão que errou por pouco.


Os governistas tentaram emparedar Mandetta pela sua orientação inicial de apenas procurar o socorro médico em caso de sintomas mais graves, como dificuldade em respirar. Trata-se de uma cobrança claramente desleal, visto que a gestão Mandetta pegou o início da pandemia, quando ainda não se tinha informações suficientes sobre a doença. Na época, aliás, era esta a orientação da própria OMS - Organização Mundial da Saúde.


Nelson Teich acabou por ter seu depoimento transferido para o dia de hoje, dado o longo depoimento de Mandetta. E a grande bomba do dia foi a notícia de que Pazuello não deporá no dia de hoje, porque supostamente teve contato com militares contaminados pela COVID e, portanto, precisa ficar de quarentena.


Por conta disso, Pazuello passa mais uma vergonha nacional. Foi alvo de inúmeras piadas, memes e críticas, já que há poucos dias desfilava por um shopping center sem máscara. E a quarentena nunca foi comportamento zelado pelos membros do governo federal, muito pelo contrário. Afinal, quando Pazuello estava com COVID, Bolsonaro foi visitá-lo e chegou a gravar uma live. E Bolsonaro não entrou em quarentena. Agora, Pazuello além de incompetente, passa por covarde. Tudo inútil, pois mais cedo ou mais tarde terá que depor.

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