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CPI DA COVID IV

Os trabalhos avançam e, apesar do diversionismo, a verdade aparece.

Imagem deJL GporPixabay


Com três dias de trabalhos, a CPI da COVID - a mais importante CPI da história republicana - já ouviu dois ex-ministros e o atual Ministro da Saúde. Na quarta-feira foi ouvido o ex-Ministro Nelson Teich; ontem ouviu-se o atual Ministro, Marcelo Queiroga.


O depoimento de Nelson Teich mostrou um profissional controlado, extremamente preocupado em defender sua curtíssima gestão e, ao mesmo tempo, não comprometer ninguém. Apesar desta disposição passiva/neutra, ainda assim Teich afirmou que seu precoce afastamento deu-se por não ter autonomia suficiente e pela pressão para oficialmente prescrever cloroquina e ivermectina como medicamentos hábeis a combater o coronavírus.


No momento mais candente, pressionado a responder se a prescrição de cloroquina configura-se como crime ou fere a ética médica, Teich acabou por afirmar que era claramente uma impropriedade do ponto de vista médico e crime, se a lei assim o prevê. Mas que indiscutivelmente marca o profissional que assim age como incompetente.


Já o depoimento de Marcelo Queiroga foi decepcionante. Sabia-se que ele estava numa situação desconfortável, já que a tropa de choque do Planalto insiste na defesa da cloroquina, afirmando que a ciência está dividida quanto a isso. Uma flagrante mentira. Confrontado com estas perguntas, Queiroga estaria numa sinuca de bico: ou defende a cloroquina ( e se compromete como médico e contradiz o que já disse antes ), ou condena o pensamento de Bolsonaro ( e neste caso perde o cargo ).


Neste aparente dilema, Queiroga infelizmente assumiu uma postura covarde. Omitiu-se de responder se os terríveis números de mais de quatrocentos mil mortos poderiam ser minimizados com uma política de combate à pandemia mais eficiente; e recusou-se a opinar sobre a cloroquina. Como Ministro, trata-se de uma postura covarde, porque sabendo que o comportamento presidencial é equivocado, teme perder seu cargo. Como médico, seu comportamento chega a ser criminoso, pois teria a obrigação de condenar a cloroquina como prescrição de tratamento à COVID 19, já que pode e está matando pessoas inocentes. Esta omissão, covarde e criminosa, digna de alguém que vende sua consciência profissional para apegar-se ao cargo de primeiro escalão, acompanhará o profissional, como um estigma, pelo resto de sua vida.


O outro ex-ministro, Eduardo Pazuello, como já sabemos, fugiu da raia. Este comportamento avestruz poderá voltar-se contra ele. Afinal, daqui a quinze dias, quando sua suposta quarentena terminar, terá que depor. E a esta altura, os senadores já terão muitos outros elementos para confrontá-lo, em especial o depoimento do ex-Ministro das Comunicações, Fábio Wejngarten, que publicamente vinculou a incompetência de Pazuello às milhares de mortes na pandemia.


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