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CPI DA COVID V

Foi gritante a diferença de postura entre o Presidente da ANVISA e o Ministro da Saúde.


Imagem deJL GporPixabay


Antônio Barra Torres, Presidente da ANVISA, depôs ontem por longas horas perante a CPI da COVID no Senado Federal. Antes dele, na quinta-feira, havia deposto Marcelo Queiroga. A diferença de postura entre ambos foi flagrante: um portou-se como homem ( Barra Torres ), disposto a falar o que pensa de forma clara e independente; outro portou-se como um rato ( Queiroga ), acovardado e preocupado em não desgostar o Presidente da República.


Alguns podem dizer que Barra Torres está escudado por possuir mandato, ao passo que Queiroga pode ser afastado a qualquer tempo. Pessoalmente, acredito que não é isso. É questão de caráter. Uma pessoa com personalidade não teme perder um cargo se o preço a pagar é a própria dignidade; um homem de brio não se importa em desgostar alguém poderoso se esta é a única postura possível para uma pessoa de bem.


Muitas e marcantes foram as divergências entre o Presidente da ANVISA e o Presidente da República. Vejamos:

  • Lamentou a postura de Bolsonaro, causando aglomerações e não usando máscara;

  • Criticou abertamente a maneira como Bolsonaro desincentiva a vacinação, seja por omissão, seja por pronunciamentos que causam desorientação entre a população;

  • Afirmou claramente que a cloroquina não serve como tratamento precoce ao coronavírus. Fez mais: confirmou o que disse Mandetta de que o Planalto pretendeu, sim, mudar a bula da cloroquina e que ele veemente posicionou-se contra, o que impediu a iniciativa de seguir avante;

  • Pontuou que a ANVISA é um órgão técnico, altamente capacitado, que segue a ciência e que não discrimina qualquer laboratório ou procedência de vacina.


Como resultado, Barra Torres resgatou sua imagem perante a nação - que anteriormente ficou à sombra de suposições de que a ANVISA compusesse o leque de instituições aparelhadas pelo governo federal. Foi claramente o depoente mais claro e objetivo, deixando muito boa impressão. Queiroga, ao contrário, maculou profundamente a sua imagem profissional e a sua respeitabilidade enquanto ser humano.


Para hoje aguarda-se com ansiedade o depoimento do ex-Secretário das Comunicações, Fábio Wajngarten, que poderá lançar Pazuello definitivamente na frigideira. Tudo sob o olhar cúmplice e complacente de Bolsonaro.


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