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CPI DA COVID X

Nise Yamaguchi desfilou mentiras, falácias e sofismas.


Imagem deJL GporPixabay


O que há de mais importante para comentar sobre o longo depoimento de Nise Yamaguchi é desmistificar duas de suas afirmações ( por sinal reiteradas inúmeras vezes em seu depoimento ). Pela necessidade de esclarecimento, pelas boas escolhas, é preciso confrontá-las. Vamos a elas:


A ciência caminha com o confronto de ideias - Verdade, doutora Nise. A ciência precisa estar aberta ao confronto de ideias, disposta a discutir argumentos confrontantes, para finalmente atingir a verdade. Contudo, uma vez estabelecida com solidez uma afirmação científica, é bastante temerário fazer afirmações contrárias. Sobretudo se tais afirmações podem ter consequências de vida ou morte. Vamos deixar bem claro: o grande crime não está em defender a cloroquina no início da pandemia, digamos, até maio de 2020. O grande crime está em defender o tratamento precoce depois que todas instituições científicas respeitáveis afirmaram o perigo e o desserviço desta orientação. Defender o Kit-Covid ainda hoje, em plena pandemia, merece uma reprimenda à altura: criminal.


E pouco socorre à doutora Yamaguchi apresentar um arquivo de estudos que referendam o tratamento precoce. Isso pode enganar apenas os incautos. A ciência, Drª Nise, faz-se com metodologia. Há instituições - ligadas às universidades, aos governos e à publicações científicas - encarregadas de filtrar os estudos sérios daqueles que não passam de pseudociência. Isto é, separar médicos de charlatães. Os estudos apresentados por Nise Yamaguchi estão todos superados, desacreditados já no ano passado.


O médico deve ter preservada a sua autonomia - Verdade também, doutora Nise, até certo ponto. O médico tem preservada sua autonomia de atuação dentro de parâmetros científicos aceitos pela comunidade médica. Há inúmeras instituições ligadas aos mais diversos ramos da medicina que debatem e assentam as possibilidades de tratamento aceitas. O médico possui autonomia para decidir o tratamento dentro destas possibilidades aceitas. Andar fora disso sujeita o médico a responder processos éticos. Novamente, faz-se isso para separar médicos de charlatães. Assim, o médico pode ser diplomado, ter mestrado, doutorado e pós-doutorado e, ainda assim, sua autonomia não é absoluta. Ele não pode adotar uma intervenção cirúrgica sem uma explicação plausível; não pode receitar remédios fora do seu campo de prescrição; falando bem grosseiramente, não pode mandar o paciente comer titica de galinha porque acha que isso vai funcionar.



Não é possível dizer o que levou uma médica respeitável a um caminho tortuoso, eticamente condenável, para dizer o mínimo. Vaidade, ambição, ânsia de ajudar? Só a própria Nise Yamaguchi conhece sua real motivação. Mas é certo que a depoente ancorou-se em verdades relativas, afetas à ciência da Medicina e à ética médica. Na conjuntura da pandemia no Brasil - situação extrema, precária e letal - este relativismo mata. Nise Yamaguchi, com seu layout de respeitável médica e sua vozinha mansa, mata.


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