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CPI DA COVID XI

É preciso focar no que interessa…


Imagem deJL GporPixabay


A essa altura do campeonato, já está bem claro nos trabalhos da CPI da COVID, o que realmente importa. Há o material quente - aquele que pode, realmente, levar à responsabilização penal de Pazuello e do Presidente; Há o material frio - aquele que, embora importante para formar a consciência popular, não representa a caracterização de tipos-crime, mesmo os de responsabilidade.


O material quente resume-se a três tópicos: a) aposta na imunização de rebanho e direcionamento das políticas públicas neste sentido; b) atraso na aquisição de vacinas motivados por posicionamentos ideológicos; c) a crise de Manaus. Os sete senadores que estão realmente interessados em fazer a CPI caminhar e apresentar resultados, finalmente parecem entender que o foco é este. Para tanto, mais do que ficar ouvindo Pazuello e seus assessores, mesmo o Ministro Queiroga, é necessário formar agora um acervo documental. Quebrar o sigilo de comunicações das pessoas envolvidas, tanto quanto o sigilo bancário, para provar definitivamente em mensagens trocadas que a imunidade de rebanho era, sim, uma orientação de política pública. Provar, igualmente, que deliberadamente se atrasou a aquisição de vacinas, seja pelo viés ideológico, seja pela linha da imunidade de rebanho já apregoada. Provar, finalmente, que em Manaus houve omissão criminosa, pois as autoridades haviam sido informadas oportunamente de que o caos se instalaria na capital amazonense.


Os depoimentos, aparentemente, já cumpriram seu papel. Isso ficou evidente nos depoimentos colhidos esta semana. Queiroga e Élcio Franco apenas demonstram o grau de sabujice dos que trabalham no Planalto, fazendo afirmações absurdas, absolutamente inverossímeis. Mentem deslavadamente diante de uma nação que sabe que estão mentindo. Ambos querem fazer crer que Bolsonaro não interferiu em nada. Afirmam que, embora seus pronunciamentos diretos sobre a pandemia, era tudo da boca pra fora, quem decidia, na ponta, eram as autoridades do Ministério da Saúde. É como se o Presidente fosse um tolo qualquer que ninguém leva em conta no governo, alguém que se justificasse com a seguinte fórmula: É o Bolsonaro, sabe como é…


O Brasil sabe que não é assim. E sabem isso da boca e das ações do próprio Presidente. Bolsonaro vive arrotando que eu sou quem manda, ou a frase já batida a caneta é minha. Às palavras Bolsonaro une ações, afastando sumariamente que não concorda com a sua gestão da pandemia, como ocorreu com Mandetta, Teich, a médica Ludhmila Hajjar e, mais recentemente, com Luana Araújo. A responsabilidade pelo material quente é de Bolsonaro. Isso está mais que evidente. Cabe à CPI agora demonstrar a verdade com provas documentais.


Mas o governo não deve se iludir. O material frio é igualmente relevante para a formação da consciência popular que, todas pessoas de bem esperam, repercuta nas eleições do ano que vem. A vantagem do material frio é que ele está mais que demonstrado, é de conhecimento geral. Trata-se de todos os maus exemplos que Bolsonaro deu, dá e dará acerca da pandemia: causar aglomerações, não usar máscaras, recomendar cloroquina e assim por diante. Todos sabem que o Presidente faz isso diariamente, ao passo que jamais participa, em rede nacional, para orientar e esclarecer corretamente a população. Todos sabem do material frio. O que não se sabe é quantas vidas Bolsonaro tomou com seu comportamento absolutamente irresponsável. Provavelmente nunca saberemos...



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