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CPI DA COVID XIX

O dia do mercador…


Imagem deJL GporPixabay


No Século XIX, além de caixeiros-viajantes, perambulavam pela América charlatães ambulantes vendendo toda sorte de remédios. Entre unguentos curativos, elixires de rejuvenescimento, tônicos fortalecedores e xaropes para os mais diversos fins, estes tipos solertes e bizarros vendiam de tudo. Hollywood imortalizou tais charlatães nos filmes de velho oeste, mas também aqui eles transitavam no Segundo Império.


Sempre houve espaço para lesar os mais crédulos. Sempre houve estelionatários dispostos a enganar e servir-se da ingenuidade das pessoas. A sessão de ontem da CPI da Covid-19 trouxe aos nossos lares uma dessas figuras safadas, ou melhor, um representante destas figuras safadas. Jailson Batista - o representante - depôs em nome da Indústria Farmacêutica Vitamedic, já que é Diretor Executivo da empresa. O real estelionatário é José Alves, o dono da Vitamedic, mas este esquivou-se de comparecer com uma desculpa esfarrapada. Como todo estelionatário é ensaboado como bagre.


Durante a pandemia, os lucros da Vitamedic com a ivermectina multiplicou por vinte. Isso porque as pessoas, iludidas pelo discurso do governo federal, compraram ivermectina como refrigerante. E como a ivermectina ( junto à cloroquina e outros ) constava do Kit Covid do governo federal, as vendas foram catapultadas, crescendo quase 1000%. Toda pessoa bem informada sabe que a ivermectina é um vermífugo, inútil contra a Covid-19. Infelizmente o povo não é bem informado. Ao contrário, é vitimado por constantes e massivas fake news cuja origem é o próprio Palácio do Planalto.


Jailson veio com o discurso da empresa buscando legítimo lucro. A ideia da defesa é simples: ora, a demanda aumentou e nós apenas suprimos o mercado. Sob uma ótica puramente capitalista, esta tese até seria defensável. O empresário apenas vendeu, não obrigou ninguém a fazer uso inadequado do seu produto. Em verdade, o capitalista ético ( e eu acredito nesse ser fantástico, creio mesmo que deve existir ), ciente de que um produto seu está sendo mal e prejudicialmente utilizado, faria uma campanha de esclarecimento popular. Uma espécie de recall farmacêutico. Jailson e a Vitamedic sequer cogitaram desta ideia absurda.


De qualquer modo, a defesa de Jailson não se sustenta, pois a Vitamedic não se limitou a vender um produto que a população desejava. A Vitamedic criou uma necessidade irreal, gerou um desejo de consumo que, em última análise, era prejudicial à saúde das pessoas. Fez isso patrocinando campanhas de desinformação, em especial financiando o grupo de médicos charlatães “Médicos pela Vida”, um bando de Bolsonaristas de jaleco que, por interesse político ou econômico, fizeram campanha pelo tratamento precoce, levando as pessoas a acreditar que tomando cloroquina e ivermectina estariam protegidas do coronavírus. E, meu Deus, como as pessoas tomaram cloroquina e ivermectina! E, Deus meu, como as pessoas comprometeram seus rins e fígados! Como se intoxicaram!


Este comportamento é claramente um estelionato. Vender um produto que não funciona era exatamente o comportamento dos charlatães do velho oeste, com sua carroça repleta de xaropes e elixires mágicos. Entretanto, como as pessoas se contaminaram e morreram em função deste comportamento irresponsável, como as pessoas sofreram graves sequelas por overdose de cloroquina e ivermectina, saltamos rapidamente do estelionato para o homicídio coletivo.


Bolsonaro foi, desde o princípio da pandemia, o principal garoto propaganda do tratamento precoce. Também foi o garoto propaganda do coronavírus, pregando a desnecessidade do isolamento social e do uso da máscara. Ele é o capitão desse time de empresários inescrupulosos, o líder desta malta de médicos que não honra o juramento de Hipócrates. Ele é, portanto, o grande estelionatário, o charlatão-mor. E, como tal, o grande homicida. O genocida do povo brasileiro.


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