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CPI DA COVID XVII

Como o aparelhamento do Estado perturba os trabalhos da CPI.


Imagem deJL GporPixabay


Que o governo Bolsonaro está aparelhando o Estado, todos sabemos. Aparelhou completamente a PGR em sua cúpula. Está em processo de aparelhar o Supremo Tribunal Federal, com a indicação de Kássio Nunes Marques e agora a indicação de André Mendonça. A Polícia Federal Bolsonaro tenta dominar desde a demissão do Ministro Sérgio Moro, tentativa que já logrou em parte, como agora se comprova.


Se no episódio Moro a intenção era blindar o clã Bolsonaro, impedindo que respondessem por seus múltiplos crimes - do envolvimento com as milícias às rachadinhas, passando pela morte de Marielle Franco - agora é impedir a CPI de ter acesso a importantes depoimentos que poderiam comprometer diretamente o Presidente da República no escândalo Covaxin.


Como esta interferência ocorre? Simples… cientes de que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal assegura - via habeas corpus - o direito a permanecer calado a quem está indiciado em investigação criminal, pouco antes de irem depor na CPI as testemunhas são convocados a depor na Polícia Federal e oficialmente consideradas indiciadas. Trata-se de um indiciamento de fachada, apenas para impedir testemunhas chaves de depor e protegendo-as de uma ordem de prisão. Isso já ocorreu com Emanuela Medrades e Francisco Maxminiano - respectivamente diretora e proprietário da Precisa Medicamentos, uma empresa envolvida até o fundo do escândalo.


A pergunta que fica é: por que o governo federal está tão preocupado com o que tais pessoas possam vir a dizer? Será que temem que, a exemplo do depoimento do PM Dominguetti ( cujo celular apreendido envolve diretamente o Presidente da Republica e a Primeira Dama nas negociações ), estas pessoas possam deixar claro que corrupção é prato comum no almoço do Planalto?

Ora, quem nada deve, nada teme. Esta lição ensina-se às crianças desde mais tenra idade. Quem não deve, não teme. Não procura obstruir investigações. Não usa a Polícia Federal para proteger a si e aos seus. Contudo, Presidente, o estrago está feito. Sua postura de incorruptível, que aos sensatos jamais enganou, está definitivamente em ruína. Porque as pessoas sabem, mesmo as mais ingênuas, que quem não deve, não teme.


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