DELEGADO PLÍNIO CONTRA A OKW
- Hatsuo Fukuda

- 29 de abr. de 2025
- 3 min de leitura
Uma aventura do delegado Plínio.

Imagem de Dreamstime.
8. FESTA DO PEÃO BOIADEIRO
Delícia, delícia
Assim você me mata
Ai, se eu te pego
Ai, ai, se eu te pego, viu!
Se eu te pego, viu?
Mirtes, fechada em uma casa segura da organização em Cascavel, aguardava o momento em que voltaria à ativa, levemente impaciente. Ela sabia que o perigo não havia passado. Vislumbres de homens a sua procura vinham à mente todos os dias. Sonhos inquietos, em que ela morria com várias facadas, a perseguiam todas as noites. Ela acordaria, apavorada, ofegante, o corpo banhado em suor, com a visão clara de seus assassinos ou da assassina na mente. Uma mulher jovem, armada com uma faca, era um pesadelo recorrente. Era necessário cautela, se quisesse continuar viva. Paciência. A casa era segura, e lá deveria permanecer.
Naquela manhã Mirtes acordou com a mente alerta. Havia dormido um sono repousante e sem pesadelos. Abriu o jornal e se deparou com a notícia da Festa do Peão Boiadeiro. Durante o dia haveria um concurso de vacas e touros. Cavalos estariam em exposição. À noite, um grande show com Michel Teló. Mirtes começou a sorrir, lembrando da canção:
- Ai se eu te pego, delícia, delícia, assim você me mata.
Uma vontade irresistível de sair de casa começou a tomar conta de seu corpo enquanto dançava e cantava a canção. O perigo não havia passado, ela sabia, mas ela precisava sair. Precisava dançar, precisava tomar uma cerveja, precisava ver homens bonitos e másculos. Todo o seu corpo gritava pelo descuidado frenesi da noite.
Ela se enturmou com um grupo em um grande camarote. Ali não haveria perigo, diziam seus instintos. Um bando de jovens animados lá estava apenas para se divertir. Não haveria bebidas batizadas. Mirtes pegou um shot de tequila se deixou levar pela música.
Teló abriu um sorriso e falou:
- Alô Matelândia! Saudades docê!
Ela tirou os olhos do palco e começou a observar a multidão. No camarote ao lado, uma loira dançava animada. Vestida para matar, pensou. Seu olhar experiente calculou o valor das jóias, roupas e sapatos. Em seguida sua mente congelou, e todo o álcool que havia consumido evaporou. Um pouco atrás da loira rica e dançante, uma jovem também loira estava quase estática, acompanhando o movimento sem se envolver. No
canto do camarote, um homem bem-vestido, de terno escuro, mas claramente um guarda-costas, observava. Mirtes já morrera inúmeras vezes nas mãos deles, noite após noite.
No banheiro, onde Mirtes se refugiara, ambas entraram. Mirtes sorriu e começou a cantar. A garota mais jovem olhou para ela sem reagir à tentativa de contato visual. Mas a mulher mais velha – pareciam irmãs – foi mais amigável.
- Eu amo Michel Teló! Nunca perco um show dele!
Elas se olharam, conferindo uma a outra. Os vestidos, os sapatos, as jóias, as bolsas, o porte, o corpo, a pele, tudo foi minuciosamente examinado em uma rápida troca de olhares e sorrisos. Mirtes notou que acompanhando o sorriso, havia um olhar frio e perscrutante. E a garota mais jovem se posicionara de modo a neutralizar qualquer ataque à mulher mais velha.
Mirtes se retirou, sorridente, mas com o coração batendo forte. Seus pesadelos eram um aviso, e o aviso se materializara naquela jovem séria que a observava atenta. A morte a acompanhava e Mirtes sabia que ela precisava fugir de sua proximidade.
Esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com fatos e pessoas são mera coincidência. O site não se responsabiliza pelos desatinos do autor. A publicação poderá ser interrompida a qualquer momento, caso o autor morra de morte morrida ou matada ou seja internado por insanidade mental. Toda terça-feira, neste site, um novo capítulo.










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