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GOVERNO DESCOORDENADO


Quem mais devia prestigiar o Ministro da Fazenda é o Presidente que o escolheu...


Imagem de: www.slon.pics / Freepik

Em poucas áreas percebemos mais a absoluta falta de coordenação no governo federal do que na área econômica. Para piorar, não se trata apenas de olhar para diferentes rumos, mas de verdadeira sabotagem interna, fogo amigo e outras baixarias. O Ministro da Fazenda - Fernando Haddad - bem que se esforça: conversa com o mercado, negocia com o legislativo, escuta o empresariado e esforça-se por adotar uma política fiscal responsável. Mas logo vêm as rasteiras... da Gleisi, da bancada do PT, da Janja e do próprio Presidente.


Fico pensando porque indicar uma pessoa para o Ministério da Fazenda - a principal pasta da República - se você não concorda com o modo com que essa pessoa encara a economia? Haddad busca cumprir as metas do arcabouço fiscal, mas Lula não está nem um pouco preocupado com isso. E dá-lhe desautorizar o Ministro... e vamos desprestigiá-lo... Também aqui, infelizmente, o governo Lula assemelha-se ao governo Bolsonaro. Afinal Guedes, tal como Haddad, era sabotado pelo próprio Presidente.


Dois episódios recentes confirmam a constante desvalorização do Ministro Haddad. O primeiro afeta a Petrobrás ( alguma semelhança com o governo Bolsonaro?? ). Depois de um longo processo de fritura, finalmente Jean Paul Prates foi defenestrado. As razões são as mesmas que fazem sofrer o Ministro da Fazenda e dizem respeito a diferentes visões de como conduzir a empresa. Para Lula e Alexandre Silveira ( Ministro de Minas e Energia ) a política de distribuição de dividendos é perdulária e a empresa deveria investir mais nas áreas de gás, energia renovável e indústria naval. A questão não é de quem está certo ou errado, mas de que tais decisões deviam ser tomadas em harmonia com o Ministro da Fazenda.


O segundo episódio é ainda mais grave e humilhante para Haddad. A discussão em torno da taxação de produtos importados de até U$ 50 ganha alguns matizes de verdadeiro ridículo. Haddad pretendia voltar a taxar os produtos importados ( que as pessoas compram em sites como Shein, AliExpress, Shopee e outros ). A razão era extremamente lógica: as empresas estrangeiras, por meio de um artifício quase fraudulento, estavam lesando o fisco e concorrendo de maneira predatória com a indústria nacional. Tudo parecia simples, porque a medida contava com o apoio da indústria nacional e os bons olhos do legislativo. O que poderia dar errado?


O que deu errado foi o elemento imponderável. Um pronunciamento de Janja nas redes sociais, colocou o Presidente Lula em trincheira oposta ao Ministro da Fazenda ( afinal, a primeira dama é sabidamente um expert em economia ). Além disso, as pessoas que adoram comprar bugigangas e produtos de menor valor destas empresas estrangeiras, também protestaram nas redes em larga escala. Em seguida, a bancada petista considera a medida impopular. O último movimento imponderável foi um pronunciamento de Lula. Segundo o Presidente, todo mundo compra nestes sites, Janja, a mulher do Lyra e o escambau. E as pessoas pobres compram as bugigangas, logo...


Poderíamos dizer ao Presidente que é tão evidente a necessidade de prestigiar a indústria nacional neste caso ( especialmente varejistas e área têxtil ), é tão escandoloso o privilégio que se dá às empresas chinesas ( Shein e AliExpress ) e de Singapura ( Shopee ) e é tão evidente que as pessoas poderiam comprar os mesmos produtos no mercado interno, que insistir no seu ponto de vista é estúpido e pouco patriótico. Mas acima de tudo devíamos dizer ao Presidente Lula que prestigie seu Ministro da Fazenda. Ou troque de uma vez...



Sempre foi muito espinhoso ser Ministro da Fazenda. Grandes figuras nacionais como Rui Barbosa padeceram no exercício do cargo. Delfim Neto, Simonsen, Funaro, Bresser, Zélia Cardoso de Mello e outros tantos poderiam dizer da cruz que carregaram. Mas é certo que quando um Presidente prestigia e dá força ao Ministro da Fazenda, tudo é mais fácil. Itamar Franco, que não era nenhum luminar, fez isso. Deu carta branca ao seu Ministro da Fazenda e viu o êxito do Plano Real. Até hoje, a melhor página do Ministério da Fazenda no Brasil.

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