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HOMENS FRACOS

O governo Bolsonaro é um desfile de personalidades tíbias…





Desconsidere a exaltação à violência e o cultivo da ditadura; desconsidere também a ignorância e o culto ao obscurantismo; desconsidere ainda o preconceito e a curta visão de mundo; desconsidere, finalmente, a corrupção e a tentativa de forjar o particular a partir do público. Tirando tudo isso, o que torna o governo Bolsonaro o mais ineficiente de todos os tempos, o mais incompetente governo da história da República, é a fraqueza moral dos seus ministros.


Efetivamente, não há um ministério sequer que funcione adequadamente, que dê conta de suas tarefas básicas. Setores fundamentais como saúde e educação já viram a entrada e saída de vários ministros. Homens de brio e opinião são logo defenestrados, substituídos por marionetes obsequiosos. Esta é característica comum a todos tiranos: cercar-se de homens fracos, aduladores, sempre dispostos a lisonjas direcionadas ao chefe e a transigir em seus princípios para não desagradá-lo.


Os exemplos de fraqueza - ditadas por interesse ou por falha de caráter - são inúmeros neste governo, a começar pelo Procurador-Geral da República, que rigorosamente não compõe o governo, mas comporta-se como se fizesse parte do time. A leniência de Augusto Aras para com Bolsonaro & família compromete a imagem do Ministério Público Federal.


Continuando no meio jurídico, André Mendonça fez da sua cadeira como Advogado Geral da União um genuflexório, levando a instituição a descurar-se dos interesses da União e preocupar-se com interesses particulares do Presidente da República. Premiado por sua atitude frouxa, agora compõe a parcela da suprema corte que Bolsonaro chama de meu STF.


Paulo Guedes já fugiu a todos preceitos econômicos que antes defendia para manter-se à frente do ministério. Comprometeu definitivamente sua imagem como gestor e economista. Ministro militares com caráter e personalidade forte já se afastaram. Restaram os lenientes que envergonham as forças armadas, generais que se curvam aos absurdos do capitão por eles mesmos expulso.

O atual Ministro da Educação, a exemplo de seus antecessores, é um fraco seguindo a orientação do chefe, comprometendo políticas públicas fundamentais que exigem continuidade. O Ministério do Meio Ambiente é vergonha mundial. Nas Relações Exteriores ( Ernesto Araújo ) e na Cultura ( Roberto Alvim, Regina Duarte e Mário Frias ) vimos um desfile de fracos na passarela da subserviência.


O próprio Sérgio Moro, enquanto Ministro da Justiça, mostrou-se fraco, condescendendo com pretensões absurdas de Jair Bolsonaro, até o esgarçamento e a renúncia. Fica na memória a fatídica reunião ministerial de 22 de abril de 2020, onde Sérgio Moro foi incapaz de levantar-se e pronunciar-se contra os absurdos proferidos pelos então ministros Ricardo Salles e Abraham Weintraub. Um homem de caráter teria pedido a palavra e dito ser inadmissível aquele linguajar e conteúdo numa reunião de primeiro escalão do governo federal. Moro tibiamente calou-se, mesmo quando o chefe discursava direcionando as agressões a ele próprio.


Ninguém, contudo, oferece espetáculo mais lamentável de fraqueza moral e tibieza de caráter do que o atual Ministro Marcelo Queiroga. Sabe-se perfeitamente, por seus pronunciamentos anteriores e seu passado como médico, que ele não comunga dos absurdos pensamentos do Presidente no que diz respeito ao combate à pandemia. Mas cede, cala, consente… tudo para manter-se no cargo.


Para não desagradar ao Jair, Queiroga fala verdadeiros disparates. Recentemente, determinou a não adoção do passaporte da vacina, justificando pela defesa da liberdade do cidadão. Defesa da liberdade no governo Bolsonaro, sabemos, é uma piada. Afinal é um governo que exalta a ditadura e defende o autoritarismo. O argumento é risível ainda mais na boca do ministro, pois ele sabe perfeitamente que no campo da saúde pública o interesse de um indivíduo não pode sobrepor-se ao interesse da coletividade.


Queiroga, na vã tentativa de justificar-se, ainda saiu-se com essa: ser vacinado não é autorização para deixar de tomar outras medidas. Claro que não, todos sabemos e ninguém está afirmando isso. Mas o argumento é especialmente falacioso, porque de uma coisa não se retira a outra ( isto é, o passaporte da vacina não autoriza vacinados a se descuidarem… ) e, em especial, quando temos no Presidente da República o pior exemplo de desrespeito a todas práticas preventivas de combate à pandemia: afirma-se não vacinado e desacredita as vacinas, não usa máscaras e condena seu uso, desaconselha isolamento social e desanca quem o promove com responsabilidade. Tudo isso sob o olhar complacente de Queiroga, mais um ministro fraco, mais um que compromete sua reputação por tibieza de caráter.


Conduzidos por homens fracos, o Brasil atual é uma bagunça, um desgoverno. Não é de se espantar, já que o leme desse barco é conduzido por Jair Bolsonaro, alguém que nunca trabalhou na vida ( exceto o curto período como militar, antes de ser expulso ) e que não tem capacidade para gerenciar o pior boteco de fundo de caserna.


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