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LULA SENDO LULA

Entrevista a Bandnews FM revela que Lula não aprendeu com o passado.




Dizem que o tempo das mudanças é a juventude. Aos velhos preconceituosamente não reconhecemos o poder de mudar. O casulo é o tempo da lagarta. A borboleta bate asas em suas últimas horas. Aos velhos lançamos estereótipos de tradição, continuidade, conformidade, tudo que enfatiza permanência. A máxima dos anos é: sempre fiz assim.


O velho Lula parece confirmar tudo isso. Em entrevista a Reinaldo Azevedo mostrou a mesma face de sempre, o mesmo diapasão, a mesma ausência absoluta de autocrítica. É bem verdade, talvez, que Azevedo fez um papel muito comportado, quase chapa branca. E Lula desfilou mais do mesmo. E desfilando mais do mesmo, lançou maiores preocupações para quem anseia, desesperadamente, a queda de Bolsonaro.


Capítulo 1 - Os julgamentos - É preciso separar as coisas: é certo que a Lava Jato cometeu inúmeros abusos; é indiscutível que Moro não era um juiz isento, pois nada justifica a articulação entre magistrado e parte; é até possível - como se diz - que tudo fizesse parte de um plano para afastar Lula da campanha presidencial. Mas por favor, não repitam a cantilena da esquerda irrefletida, de que Lula foi condenado sem provas. Azevedo afirma que leu a sentença de Moro e não encontrou provas. Então, não leu direito. Porque as provas estão lá, cristalinas, de testemunhos a documentos. Não vê quem não quer ver.


Capítulo 2 - A corrupção - Independente dos casos do triplex do Guarujá ou do sítio de Atibaia… quando o PT vai ter a dignidade de fazer um necessário mea culpa? Quando vão reconhecer que, a pretexto de governabilidade, Lula aliou-se com a banda podre dos empreiteiros, empresários e sistema financeiro ( irmãos Batista, família Odebrecht, etc… ). Lula traiu o próprio ideário do partido. O Lula velho, grisalho e trajando Armani, apunhalou o Lula da barba preta e camiseta. Basta perguntar: se não houve corrupção de onde vieram os bilhões devolvidos aos cofres públicos em delações premiadas e acordos de leniência? A arrogância do PT, a falta de humildade em reconhecer e purgar seus erros, gerou Bolsonaro. Em que pesem seus pecados, não é culpa do Moro se este desastre que é Jair Bolsonaro está no poder.


Capítulo 3 - governos do PT - Os dois governos do PT mostraram erros e acertos. É inegável que durante o período Lula/Dilma diminuiu a pobreza no país, reduziram-se as diferenças sociais e mais jovens atingiram o ensino superior. Mas a pobreza foi mitigada sem a necessária promoção do ser humano e o foco na universidade é um equívoco demagógico. A gestão da economia foi duvidosa, marcada por benefícios a alguns grupos e pela perda de grandes oportunidades. Lula recebeu de FHC o melhor Brasil possível e não planejou reformas estruturais necessárias, sequer desenvolveu a infraestrutura do país. A entrevista passou ao largo dessa realidade.


Capítulo 4 - 2022 - Neste ponto, Azevedo até tentou, indagando se não era problemático o fato de o PT sempre querer ser protagonista, incapaz de agregar grandes frentes. Lula deixou claro que em 2022 será mais do mesmo. O PT não aceita nada menos que a figura de proa. São incapazes de perceber que se Lula é a maior liderança política do Brasil, possui também a maior rejeição. Tão grande quanto a de Bolsonaro. Se Lula é a opção mais segura para chegar ao segundo turno, certamente não é a melhor para vencê-lo. Para impedir o desastre, a tragédia em todos os sentidos que seria um segundo desgoverno Bolsonaro, seria preciso uma ampla frente de partidos, agregando da esquerda à centro-direita. Todos, inclusive Lula, deveriam apoiar um outro nome, menos viável em primeiro turno, mas infinitamente mais viável em segundo.


Mas Lula parece acentuar o preconceito de que a idade não permite mudanças. Como um velho teimoso permanece renitente em dizer que não cometeu erros, continua murmurando as mesmas fórmulas ultrapassadas. Como alguém congelado no passado, não consegue ver o que é imperioso no atual panorama. Não consegue mudar. E por não mudar, põe o Brasil em risco.



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