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MAQUIADOR DE MICHELLE DETONA FLÁVIO BOLSONARO NO JORNAL O GLOBO. A COISA ESTÁ PRETA

Michelle Bolsoanro e Agustin Fernandez, seu maquiador. Quando ele fala, é ele ou Michelle?
Michelle Bolsoanro e Agustin Fernandez, seu maquiador. Quando ele fala, é ele ou Michelle?

MAQUIADOR DE MICHELLE DETONA FLÁVIO BOLSONARO NO JORNAL O GLOBO. A COISA ESTÁ PRETA

 

 Caio Brandão


Quem te viu, quem te vê, diria Asdrúbal Guimarães, jornalista da velha guarda, repórter de escol, conhecedor da política, das manhas e das articulações eleitorais e eleitoreiras. Mas isto passou, disse-me o Asdrúbal, porque o vaticínio político agora está em outras mãos. Já nos relatou pela imprensa a ministra Cármen Lúcia, de presença honorária no Supremo Tribunal Federal, que ouviu atenta os conselhos do motorista de táxi que a conduziu em data recente, o qual apontou os deslizes de alguns colegas seus.


Vou repassar isto ao ex-deputado José Santana de Vasconcelos, que sete vezes se reelegeu, alternando-se entre federal e estadual. Agora que o "Grande Jornal dos Mineiros" já não influencia o nosso meio, ele deverá consultar a manicure de sua esposa, ora promovida a consultora de formadores de opinião.


O jornal O Globo dá o recado de Michelle Bolsonaro através de seu maquiador: Flávio vai perder para Lula, porque tem o ego maior do que a causa.
O jornal O Globo dá o recado de Michelle Bolsonaro através de seu maquiador: Flávio vai perder para Lula, porque tem o ego maior do que a causa.

O prestígio do maquiador me impressionou e procurei conhecê-lo melhor. Pensei tratar-se de algum político enrustido em nova e rentável profissão entre madames, ou de algum publicitário travestido de pesquisador, entendido nas nuances dos votos e de suas raízes móveis — fenômeno que só acontece na política — e estáticas e profundas. Ora, convenhamos: se o desejo do jornal é abrir espaço para Michelle Bolsonaro e tecer críticas à escolha de Flávio como sucessor do pai, a seleção do maquiador como porta-voz não foi a mais feliz. Aliás, o tabuleiro de xadrez da política dispõe de inúmeros atores com influência e estofo para defender o ponto de vista esposado por Fernandez. Este, em face do seu histórico de envolvimento com a política, carece de autoridade para o convencimento.


Agustin Fernandez, maquiador de Michelle Bolsonaro é na verdade sua porta-voz. Ele dá os recados que Michelle não pode falar.

Fernandez, uruguaio de nascimento, natural de Lavalleja, está há quinze anos no Brasil e já se posiciona como imponente áulico de presidenciável, o que não deixa de ser notável. O jornal O Globo reforça esse cenário sob o título "Relatos de Desconforto": antes da definição, Michelle vinha ganhando espaço na articulação política, interferindo em decisões estratégicas e sendo apontada por aliados como alternativa competitiva para 2026. Nesse ponto, Asdrúbal intervém e faz valer a experiência adquirida, ao perguntar:


— E se o comentário fosse do Valdemar Costa Neto, você teria lido?


Respondi que não, ao que o Asdrúbal aduziu:


— Então a matéria chamou a atenção e a moça deu o seu recado com a "mão do gato".


No que fui obrigado a concordar. Recados à parte, o descontentamento de dona Michelle com a escolha de Flávio é patente. Ficou notório que ela queria ser a "ungida" e que agora terá de se contentar com o Senado — o que, aliás, é um prêmio superlativo para ela.






Michelle Bolsonaro e seu maquiador, Agustin Fernandez. O sábio Asdrúbal acredita que Agustin é a "mão do gato" de Michelle.
Michelle Bolsonaro e seu maquiador, Agustin Fernandez. O sábio Asdrúbal acredita que Agustin é a "mão do gato" de Michelle.

Ora, dona Michelle, vá devagar com o andor. Contente-se com o bilhete premiado que recebeu, diria Luiz Bernardi, curitibano da gema e egresso das Forças Armadas. Michelle tem valor, sim; cresceu, soube aproveitar a oportunidade e em breve ganhará assento no Senado da República. Vai para lá com as limitações de sua trajetória "escada acima", vinda de baixo e oriunda de família que mais atrapalha do que ajuda. Diria Demerval Quaresma, guerreiro das barrancas do Jequitinhonha: abrace o possível e não faça marola. Certo é que, se Flávio tem como nota máxima na atividade privada a gerência de uma loja de chocolates, dona Michelle nem isto tem para provar competência e vocação gestora.


Sobre isto, Tarcísio, o Governador de São Paulo, mais experiente, entendeu a regra do jogo: Bolsonaro jamais entregaria o bastão para alguém que não fosse do seu sangue. A esposa de hoje pode ser a inimiga de amanhã, enquanto o amigo de agora sempre encarna a figura da criatura que pode se voltar contra o criador.


Agustin Fernandez, maquiador de Michelle Bolsonaro, acha que Flávio vai perder para Lula.
Agustin Fernandez, maquiador de Michelle Bolsonaro, acha que Flávio Bolsonaro vai perder para Lula.

Michelle vai “apanhar” muito na campanha. Os adversários jogarão luz sobre a sua vida, criarão versões, injúrias e até calúnias. Tarcísio — cria de dona Dilma Rousseff —, entretanto, vai orar pela derrota de Flávio Bolsonaro, e de sua força política despenderá o mínimo para ajudar na eleição. A vitória de Flávio enterra o futuro presidencial de Tarcísio; sua derrota, porém, o liberta dos grilhões para buscar espaço próprio e seu propósito.


Esta será uma eleição de fogueira nos bastidores, inclusive no PT, com repercussões sinistras na mídia. Ser vice de Lula pode ser apontado como o nirvana: a possibilidade de sentar-se na cadeira sem muito esforço e defenestrar a soldadesca que, da cabeça, vai arrancar até o último fio de cabelo.


O cronista Caio Brandão, desconfiado como todo mineiro, acha que debaixo do angu tem caroço.

O cronista Caio Brandão, desconfiado como todo mineiro, acha que debaixo do angu tem caroço.

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