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NO MEU QUINTAL

Um poema de Manuel Rosa de Almeida sobre as coisas simples da vida.

Imagem deJL GporPixabay

A sensibilidade gentil da esposa minha

Montou para os pássaros alimentar

Dois comedouros em frente à janela da cozinha.

E as cores ao meu quintal vi voltar.



Não apenas as cores das frutas, mamão

Bananas, laranjas, maçãs

Mas a aquarela dos convidados.

Sabiás sempre vêm primeiro, tão

Duramente dominam as manhãs

Com seu largo peito alaranjado.

Avançam nos mamões e expulsam sem dó

Qualquer outro pretendente a conviva.

Depois a algazarra dos periquitos

Redesenhando da pitangueira o verde só

Comendo elegantes as bananas, cativa

Em pedaços nas patas retidos.

Chegam Bem-te-vis e seu lindo amarelo

São visitantes solitários, arredios

Finalmente, ao fechar da cortina

Exibindo o azul cinza claro mais belo

Cautelosos sanhaços em trios

E multicoloridas saíras pequeninas.

Rolinhas contemplam a festa dos muros

Como se o propósito não entendessem

De tanta alegria e tanta pirueta.

Talvez prefiram alimentos duros

Ou talvez viriam se tivessem

Cores alegres na sua paleta.



A sensibilidade gentil da esposa minha

Montou para os pássaros alimentar

Dois comedouros em frente à janela da cozinha.

E as cores ao meu quintal vi voltar.


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Lindo poema!

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