O ANTIPORTUGUESISMO DE MUITOS BRASILEIROS
- Arthur Virmond de Lacerda Neto
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Arthur Virmond de Lacerda Neto
Antiportuguesismo ou lusofobia é o sentimento de rejeição da herança portuguesa entre brasileiros, notadamente da originária do ciclo prévio a 1822, capítulo em que há mitos, narrativas falsas, exageradas, parciais, sempre denegridoras do passado brasileiro e do papel nele desempenhado por Portugal (como as concernentes ao ouro, ao povoamento por degredados, à crueza da escravidão, à matança de indígenas, à expansão além-Tordesilhas alegadamente usurpadora, para mencionar as mais repetidas). Professores de história do ensino médio e das universidades, autores (a exemplo de Salgado Freire, Sérgio Buarque de Holanda, Caio Prado Júnior, Laurentino Gomes) inculcam desprezo para com a origem cultural brasileira, cujo resultado é o complexo de inferioridade do brasileiro.
Renato Janine Ribeiro (professor de Filosofia na USP) narra em livro: um acadêmico português ponderou-lhe que, de 1822 ao diante, os brasileiros dispuseram de tempo bastante para corrigir males de seu país e tornaram-se responsáveis pelos acertos e desacertos nele havidos desde então. Renato Ribeiro confessou-se abismado com a ponderação de seu colega, a quem, depois, até deu razão.
A reflexão do acadêmico português é inteiramente óbvia e deveria sê-lo para todos os brasílicos; causa-me espécie que o professor Ribeiro não a houvesse percebido até então, mas aqui tal interessa a título de anedota e de sintoma.
Em matéria de antiportuguesismo e de o brasileiro ser incapaz de assumir suas responsabilidades, há verdadeira obtusidade (quanto ao primeiro defeito) e carência de ombridade (no que entende com o segundo) entre brasileiros, lestos, por outro lado, em irrogar a terceiros as culpas de seus malogros e erros: culpam o regime de 1964 - 1982, o capitalismo, a sociedade em geral, a “herança colonial”.
Sérgio Buarque de Holanda escreveu péssimo livro, injustamente glorificado (Raízes do Brasil), verdadeiro panfleto antiportuguês. Antônio Viana Moog produziu outro, também parcial (Bandeirantes e pioneiros), em que cotejou Brasil e E. U. A. Ambos tiveram e têm copiosos e ingênuos leitores. Caio Prado Júnior fortaleceu o antiportuguesismo, que Laurentino Gomes (com seu horrível 1808) explorou.
Gilberto Freyre afirmou as virtudes da formação portuguesa no Brasil; em décadas pregressas, outros autores reconheceram-nas, como Luís Pereira Barreto, Eduardo Prado, José de Alencar e outros. Olavo de Carvalho recomendava a seus sequazes e alunos a leitura da obra de Gilberto Freyre, cujos livros decisivos, neste domínio, são: O mundo que o português criou, Uma cultura ameaçada, O Luso e o Trópico, Um brasileiro em terras portuguesas, Novo Mundo nos Trópicos.
Carlos Lisboa de Mendonça escreveu 500 anos do descobrimento. Uma nova dialética, em que retifica os vícios mentais da imagem que o brasileiro comumente forma de sua origem e de sua identidade; da mesma forma Agassiz Amorim Almeida, em seu 500 anos do povo brasileiro; Tito Lívio Ferreira publicou O Brasil não foi colônia e Portugal no Brasil e no mundo.
Há movimento de reposição da verdade histórica e de justiça para com a formação do Brasil, de que são veículos e divulgadores os youtubeiros brasílicos Aurélio Schommer e Marcelo Andrade, o primeiro com alocuções interessantes e o segundo com interessantes entrefalas.
No Paraná, o historiador David Carneiro era amistoso para com a formação histórica do Brasil; descobriu e expôs o papel construtor de Afonso Botelho de Sampaio e Sousa (século XVIII).
O antiportuguesismo surgiu com a independência do Brasil, como forma de os brasileiros identificarem-se a si próprios: ser brasileiro implicava ser antiportuguês. Cousa melhor não encontraram e, ruindade que é, entranhou-se no etos dos brasileiros, funesto fenômeno estudado recentemente por Carlos Fino em Portugal-Brasil: raízes do estranhamento (2021), de leitura indispensável.
O antiportuguesismo não implica desprezo ou animadversão para com Portugal hodierno, tampouco para com os portugueses atuais; implica obscurecimento, negação, depreciação da origem, da formação, do passado português do Brasil, da parte de seus naturais. A avassaladora emigração de brasileiros para Portugal (480 mil em 2026) não o desmente: os brasílicos emigrantes (já na segunda geração) portam antiportuguesismo em sua (má) formação cultural, bem como deficiente instrução em português.
Assista ao vídeo “O Brasil não foi colônia de Portugal”, no canal de Marcelo Andrade:
No mesmo canal, há interessantes vídeos sobre história do Brasil.
Arthur Virmond de Lacerda Neto é um advogado e estudioso da história do Brasil e do Paraná.









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