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O CONSTRUTOR DE PONTES

Recomendação de leitura


Uma pungente história sobre amor e perdas.


Foto de Manuel Rosa de Almeida

Para quem, como eu, tem um perfil literário um pouco conservador, pode ser difícil enfrentar as primeiras páginas dos livros de Markus Suzak. Ele tem um estilo despojado, quase casual, que traz uma inicial reação negativa. Claro, o estilo é leve e ganha de imediato o leitor mais jovem ou o leitor eventual. Com o público mais exigente, contudo, há este efeito ruim que não se pode negar.


Contudo, se você insistir um pouco, aquela primeira impressão vai gradualmente se desvanecendo, sendo substituída pelo sabor de uma narrativa leve, sim, mas igualmente madura e densa. A fórmula para esta metamorfose na percepção do leitor está no fato simples, mas fundamental para um escritor: há uma história sendo contada. E sim, Suzak sabe contar uma história.


Assim, se você já leu A Menina que Roubava Livros - sucesso editorial do mesmo autor - você certamente irá gostar de O Construtor de Pontes. Arrisco dizer que O Construtor de Pontes é ainda melhor. Impossível não se deixar arrebatar pelo drama vivido por cinco irmãos, praticamente abandonados à própria sorte pelo pai. É certo que você rirá de algumas cenas familiares entre os cinco protagonistas e seus improváveis bichos de estimação. É provável que seja tocado pela vida de Penélope, sua trajetória e sua cruz. É inevitável a emoção com que você lerá as páginas finais.


Em meio a tudo, há o tempero de referências ao clássico dos clássicos, a Ilíada. Assim como há referências à obra de Michelangelo e às técnicas de construção de pontes. A ponte que é, do início ao fim, a metáfora em torno da qual Suzak conta esta linda história.


O Construtor de Pontes, Markus Suzak, Editora Intrínseca, 2018, 527 páginas.

Avaliação: Recomendado, salvo para leitores intransigentemente conservadores.


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