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O RIO DE JANEIRO CONTINUA LINDO

E continua dando lições do que não se deve fazer…


Imagem de Poswiecie por Pixabay



Alguém devia fazer um estudo antropológico e sociológico para tentar explicar o que acontece com o Rio de Janeiro. Será que ainda é herança de ter sido a sede do governo federal por tantos anos? Será que é coincidência e puro azar dos fluminenses/cariocas? Será que tudo se resume ao poder e influência do crime organizado? Ou é a geografia, o clima?


Nada que se cogite parece oferecer resposta adequada. Fato é que o Rio de Janeiro tem sido infelicitado por inúmeras e variadas demonstrações do que não fazer no que se refere à administração pública amplamente considerada. Primeiro foram os governadores, uma sequência lamentável de corruptos que se deram mal: Cabral, Pesão, o casal Garotinho, Moreira Franco... e vá retrocedendo que você acaba chegando em Estácio de Sá

O atual Governador, também não se salva, acossado por investigações, impeachment e a briga com os ocupantes do Palácio do Planalto. Esta, por sinal, também uma disputa regional, já que a base dos Bolsonaro é o Rio de Janeiro. Alguns dias atrás apontei como o Rio de Janeiro nos dá péssimos exemplos de aparelhamento do estado, com as instituições públicas sendo utilizadas em favor dos ocupantes do poder. É exatamente o que está ocorrendo neste embate Witzel X Bolsonaro, com o Ministério Público e o Poder Judiciário sendo alvos das tentativas - infelizmente às vezes bem sucedidas - de aparelhamento.


O Prefeito do Rio de Janeiro não quis ficar para trás. Ao contrário: superou as esferas superiores. Na tentativa de calar a imprensa, pensou o impensável: Os Guardiões do Crivella. Uma hoste de truculentos contratada para impedir o trabalho da imprensa livre, estrategicamente posicionados em unidades hospitalares municipais para perturbar e impedir qualquer denúncia contra os bons serviços de saúde do Rio de Janeiro. Tudo pago com dinheiro do sofrido povo carioca. O episódio todo é tão non sense que, em qualquer outro país, teria desaguado na renúncia do prefeito Crivella.


A última má notícia aponta para o aparelhamento do Poder Judiciário. A pedido, claro, do Senador Flávio Bolsonaro, a juíza Cristina Feijó, da 33ª Vara Cível do Rio de Janeiro, proibiu a rede Globo de divulgar fatos e documentos relacionados ao episódio da rachadinha na Assembleia Legislativa. A decisão foi alvo de censuras por todas entidades que entendem a importância da imprensa livre, da ABI ( Associação Brasileira de Imprensa ) à ANJ ( Associação Nacional de Jornais ), passando pela ABRAJI ( Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo ).


O fato configura claramente censura prévia à imprensa, praticada por um membro do Poder Judiciário, para favorecer alguém ligado às pessoas que momentaneamente exercem o poder neste país. Portanto, mais um exemplo do aparelhamento do Estado. Como é praxe no clã Bolsonaro, o filhinho 01 comemorou a notícia nas redes sociais e disse deslavadamente que não tem nada a esconder. Mas se não tem nada a esconder, por que esconde?


O inquérito das rachadinhas está concluído e foi encaminhado ao Procurador-Geral da Justiça do Rio de Janeiro. É um caso tão óbvio, de tal forma claro e comprovado, que somente podemos esperar que a justiça seja feita. A menos, é claro, que o aparelhamento do Estado continue corroendo as instituições fluminenses.


Imagem de Nuno Lopes por Pixabay


No momento a palavra está com o Procurador-Geral de Justiça, Eduardo Gussem. O Rio de Janeiro continua lindo. Continua nos brindando com lindas paisagens, com o samba, com grandes artistas e escritores. Mas a sua política...


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