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REPUBLICANDO: GOVERNO BOLSONARO


O que foi, afinal, o governo Bolsonaro?


Imagem de: www.slon.pics / Freepik

Dizem que o brasileiro tem memória curta. Agora, na perspectiva de uma eleição presidencial, a falta de memória é problema sério que traz graves consequências. Para refrescar lembranças do que foi a gestão de Jair Bolsonaro, passamos a republicar - todo domingo - comentários sobre este governo.


Assim, você poderá avaliar toda a trajetória deste governo ( ou desgoverno ). Quando outubro chegar, com os fatos recolocados, você pode formar seu julgamento. E se quiser reconduzir Jair Bolsonaro ao poder, é decisão e responsabilidade sua.


Aproveitando o momento em que Bolsonaro dá todos sinais de que tentará um golpe ( só não vê quem não quer ) trazemos um dos primeiros sinais de que este governo tentaria, mais cedo ou mais tarde, uma ruptura institucional. Trata-se de uma reunião de ministros militares e do que ali se discutiu.



OUTRA ARREPIANTE REUNIÃO NO PLANALTO DEVASSADA - Texto originalmente publicado em 06.08.20


Reportagem da revista Piauí revela os bastidores de uma reunião entre o Presidente e seus Ministros militares ocorrida em 22 de maio. Simplesmente apavorante...



Gato escaldado tem medo de água fria. É gravíssimo o conteúdo da matéria publicada pela revista Piauí que teve acesso aos termos de uma reunião que teria ocorrido no Palácio do Planalto em 22 de maio. A reunião contou com a presença dos ministros militares Walter Braga Netto, Luiz Eduardo Ramos e Augusto Heleno e o Presidente da República. Desgostoso com decisão do Ministro Celso de Mello, Bolsonaro teria anunciado que iria intervir, envindo tropas ao Supremo Tribunal Federal e destituindo os Ministros da Corte Suprema. Os Ministros seriam substituídos por militares, até por as coisas em ordem...


Como todos se recordam, Celso de Mello havia dado um despacho no sentido de ouvir a Procuradoria Geral da República sobre o pedido de partidos de oposição de apreensão dos celulares do Presidente e de seus filhos. Segundo a reportagem, Bolsonaro foi apoiado pelo General Eduardo Ramos, porque este entendia necessário restabelecer a autoridade do Presidente. Os participantes da reunião chegaram a consultar o Ministro da Justiça ( André Mendonça ) e o Advogado-Geral da União ( José Levi ) sobre a legalidade de utilizar o art. 142 da Constituição Federal como respaldo legal para a atitude extrema.


Felizmente, o Presidente foi dissuadido da ideia pelo Ministro Augusto Heleno, que chegou um pouco atrasado à reunião, ainda que o argumento utilizado pelo Ministro seja assustador: ainda não é o momento, teria dito Augusto Heleno.


Gato escaldado tem medo de água fria. Piauí é uma revista de credibilidade, não é um panfleto qualquer da esquerda radical. Relembrando o que aconteceu na época, os fatos denunciados pela revista fazem todo sentido. Para quem não lembra, o despacho do Ministro Celso de Mello se deu em uma denúncia-crime feita por três partidos da oposição ( PDT, PSB e PV ) focando na repercussão da divulgação do vídeo da fatídica reunião ministerial de 22 de abril. Depois Celso de Mello acabou arquivando a medida, mas na ocasião o fato gerou grande polêmica.


Pouco depois da reunião de 22 de maio, o Ministro Augusto Heleno soltou uma nota, por todos cidadãos equilibrados considerada despropositada e ameaçadora, em que classificava a possibilidade da apreensão do celular do Presidente como inconcebível, inacreditável, e que poderia ter graves consequências para a estabilidade nacional.


A consulta em torno do art. 142 da Constituição, na interpretação bolsonarista de que as Forças Armadas poderiam funcionar como uma espécie de poder moderador entre os três poderes, ganhou repercussão na época, provocando inúmeras manifestações de repúdio dos mais respeitados juristas.


Portanto, a reportagem da Piauí faz sentido. Explica, igualmente, muitas coisas que, na ocasião, ficaram envoltas em brumas. Conhecendo as reiteradas, arrogantes, absurdas manifestações autoritárias que Jair Bolsonaro já fez ao longo de seu desgoverno, claro que não é de se duvidar. O sinal amarelo continua ligado no país e aqueles que amam a democracia devem pronunciar-se contra qualquer tentativa de ruptura da ordem institucional. Afinal, gato escaldado tem medo de água fria.


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