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RESPONSABILIDADE PELAS MORTES

O mau exemplo do Presidente tem colaborado decididamente para o crescimento do número de mortos.



Imagem deJL GporPixabay


Terça-feira à tarde, uma funcionária de supermercado, mãe de duas filhas e arrimo de família, foi morta no ambiente de trabalho em Araucária/PR. O motivo foi fútil, futilíssimo até. O segurança do supermercado Condor havia impedido a entrada de um empresário, porque este não utilizava máscara. Naquele município, por força de decreto, o uso da máscara é obrigatório, algo bem razoável em tempos de pandemia.

O empresário insistiu no acesso ao supermercado e iniciou-se uma discussão. Funcionários do supermercado interferiram, entre eles a funcionária Sandra, que depois veio a falecer. Mostraram o decreto municipal, ofereceram uma máscara para o empresário utilizar, tudo em vão. O cidadão ( se é que merece este substantivo ) preferiu a violência e, aos socos, partiu para a agressão contra o vigilante. Na confusão, houve dois disparos. Um deles atingiu Sandra, que veio a falecer. O vídeo da segurança do supermercado Condor não deixa dúvidas de que foi o empresário que começou as agressões e inclusive tentou apoderar-se da arma do segurança.


Se fosse possível fazer a prova, eu seria capaz de apostar uma fortuna de que este empresário votou em Bolsonaro. E digo mais: o Presidente é também responsável por esta morte. Em verdade, é impossível aferir quantas pessoas o Presidente já matou com suas atitudes inconsequentes.


Basta pensar: como Presidente da República, Bolsonaro é um exemplo para todos seus seguidores ( eles estão gradativamente diminuindo, mas ainda devem representar 20% do eleitorado ). Desde o princípio da pandemia, Bolsonaro minimizou o problema, tratando tudo com deboche. Isso o Presidente não pode negar. Afinal há dezenas de depoimentos gravados neste sentido.


É portanto razoável inferir que Bolsonaro contribuiu severamente para o fracasso parcial do isolamento. É cientificamente demonstrado que o fracasso parcial do isolamento contribuiu para o aumento das mortes por COVID-19. Junte dois mais dois: culpado.


Quando o Presidente sai às ruas sem máscara, inclusive desrespeitando um decreto do Distrito Federal, portando-se de maneira totalmente inadequada, ele passa uma mensagem clara aos seus seguidores: a lei pode ser desrespeitada. O empresário que causou a morte da funcionária em Araucária certamente estava impregnado pelas ideias obtusas do senhor Presidente. Novamente, junte dois mais dois: Bolsonaro culpado.

Agora, as mortes diárias estão batendo a casa dos 500.


E o Presidente continua com sua postura e daí, continua tratando a questão com desprezo às vidas humanas e com piadas de mau gosto ( sempre acompanhadas das risadas de uma claque de descerebrados ). Bolsonaro é provavelmente o único líder de nação que não fez um pronunciamento em rede nacional para tratar da pandemia, para confortar seu povo, para fazer orientações, para solidarizar-se com as famílias dos mortos, para, enfim, mostrar empatia, mostrar que se importa.


O que tudo isso significa? Primeiro o óbvio, algo que todos já perceberam. Bolsonaro é intelectualmente mau dotado, é burro mesmo. Segundo, é a pessoa mais egoísta e arrogante que já ocupou a Presidência da Repúlica. Se o egoísmo tem uma face, suas feições são as de Bolsonaro. Se a arrogância tem um corpo, é o corpo do Presidente. Ele não se importa com 500 brasileiro mortos por dia, porque está centrado apenas nele mesmo, em seus objetivos ( todos torpes, diga-se ); ele não aceita as recomendações dos especialistas porque acha ( suprema arrogância ) que domina mais o assunto.


Agora, cobrado pela situação caótica em Manaus e que se prenuncia caótica em São Paulo e Rio de Janeiro, passa a culpar Governadores e Prefeitos. Algo que já se imaginava, acabaria fazendo. Indagado por um jornalista se ele tinha parcela de responsabilidade pelas mortes ocorridas, saiu-se com esta: a pergunta é tão idiota que nem vou responder. Como disse: burro, egoísta e arrogante. Até quando teremos este homem na Presidência da República? Até quando teremos de suportá-lo?




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