Retratos do poder no traço de Ademir Paixão
- ADEMIR PAIXÃO

- há 1 dia
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O Dialéticos dá continuidade à série de desenhos do cartunista Ademir Paixão. Depois de circular pelos nomes da nossa literatura e da música, o post de hoje abre os bastidores das instituições, da imprensa e da política que moldaram a história recente do Paraná.
Abrimos o painel com duas forças históricas do nosso estado. Primeiro, a engrenagem que comandou a opinião pública e a gestão da comunicação paranaense por décadas: um aperto de mãos entre os icônicos diretores e fundadores da Rede Paranaense de Comunicação (RPC) e da Gazeta do Povo, os doutores Edmundo Lemanski (à esquerda) e Francisco Cunha Pereira Filho (à direita), que capitanearam a repetidora da Rede Globo e a imprensa impressa no estado.

Ao lado do império de comunicação, damos destaque máximo à caminhada pelas causas humanitárias que marcam o clã Arns. Em uma composição inspirada na célebre pintura operária O Quarto Estado, marcham juntos o senador Flávio Arns, o cardeal Dom Paulo Evaristo Arns e a Dra. Zilda Arns, caminhando descalça com um bebê nos braços — o retrato vivo da Pastoral da Criança e da defesa intransigente dos direitos civis.

Ainda no universo dos jornais e das instituições públicas, o traço de Paixão recupera a história de Abdo Aref Kudry, de bermudas e bolsa a tiracolo. Procurador do Estado e presidente por muitos anos da Associação dos Diários e Jornais do Interior do Paraná (Adjori-PR), Kudry foi retratado com base em suas memórias de infância, quando vendia jornais pelas ruas de Paranaguá aguardando a chegada do trem.

A defesa das leis e do saber acadêmico é representada pelo Professor René Ariel Dotti, titular da Faculdade de Direito da UFPR e fundador de um dos mais tradicionais escritórios de advocacia do estado, cujo legado jurídico segue vivo e sucedido por sua filha Rogéria Dotti. Trajado com sua clássica elegância de tribuno, o desenho captura a sobriedade de um dos maiores juristas do país.

Fechamos o bloco com a arena política traduzida em um tabuleiro de xadrez. Com um sorriso irônico e peças bem específicas, Roberto Requião enfrenta o presidente Lula, retratado de costas. No lugar de peões tradicionais, os dois movem homenzinhos de boné vermelho, resumindo com precisão os históricos bastidores e articulações com os movimentos sociais no estado.

Estes retratos deixam claro que o traço de Paixão nunca foi apenas humor; sempre foi documento e história.

Quem é Ademir Paixão?
Ademir Paixão (1953) é um dos nomes mais importantes e influentes do cartum, da charge e da caricatura no Brasil. Natural de Japira e radicado em Curitiba desde 1975, ele consolidou uma trajetória monumental no humor gráfico nacional. Ficou amplamente conhecido por sua atuação como o principal chargista das páginas da Gazeta do Povo, onde ingressou em 1986, construindo um estilo inconfundível que une o rigor técnico à ironia fina, à sensibilidade poética e à crônica visual viva do cotidiano paranaense e brasileiro.
Sua relevância ultrapassa as páginas dos jornais tradicionais. Atualmente, o artista mantém uma produção ativa e diversificada por meio do Studio Paixão, assinando grandes projetos que celebram a memória urbana e a cultura. Entre as suas atividades recentes de destaque nacional e regional, Paixão ilustrou o aclamado projeto cartográfico interativo "Vamos Pintar Curitiba" e deu vida a histórias reais em formato de animações e webséries corporativas de grande alcance institutional, como a comemoração dos 40 anos do Shopping Mueller.
Condecorado com o título de Cidadão Honorário de Curitiba, Paixão segue ativo no mercado literário e publicitário, demonstrando que o nanquim e o bico de pena continuam sendo extensões fundamentais de sua mente atenta ao mundo.










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