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Retratos do poder no traço de Ademir Paixão

Caricatura em tons sépia com o senador Flávio Arns à esquerda de jaqueta no ombro, o cardeal Dom Paulo Evaristo Arns ao centro de colete, e a Dra. Zilda Arns descalça carregando um bebê à direita. Eles marcham firmes à frente de uma multidão de trabalhadores.

O Dialéticos dá continuidade à série de desenhos do cartunista Ademir Paixão. Depois de circular pelos nomes da nossa literatura e da música, o post de hoje abre os bastidores das instituições, da imprensa e da política que moldaram a história recente do Paraná.


Abrimos o painel com duas forças históricas do nosso estado. Primeiro, a engrenagem que comandou a opinião pública e a gestão da comunicação paranaense por décadas: um aperto de mãos entre os icônicos diretores e fundadores da Rede Paranaense de Comunicação (RPC) e da Gazeta do Povo, os doutores Edmundo Lemanski (à esquerda) e Francisco Cunha Pereira Filho (à direita), que capitanearam a repetidora da Rede Globo e a imprensa impressa no estado.

Caricatura colorida dos diretores da Gazeta do Povo. À esquerda, Dr. Edmundo Lemanski veste camisa jeans azul e sorri de forma expansiva. À direita, Dr. Francisco Cunha Pereira Filho veste terno cinza, gravata vermelha e ostenta seu marcante bigode. Eles dão um aperto de mãos.
 Lemanski e Cunha Pereira: a discretíssima engrenagem que moveu a imprensa paranaense.

Ao lado do império de comunicação, damos destaque máximo à caminhada pelas causas humanitárias que marcam o clã Arns. Em uma composição inspirada na célebre pintura operária O Quarto Estado, marcham juntos o senador Flávio Arns, o cardeal Dom Paulo Evaristo Arns e a Dra. Zilda Arns, caminhando descalça com um bebê nos braços — o retrato vivo da Pastoral da Criança e da defesa intransigente dos direitos civis.


Caricatura em tons sépia com o senador Flávio Arns à esquerda de jaqueta no ombro, o cardeal Dom Paulo Evaristo Arns ao centro de colete, e a Dra. Zilda Arns descalça carregando um bebê à direita. Eles marcham firmes à frente de uma multidão de trabalhadores.
A marcha social do clã Arns: Flávio, Dom Paulo Evaristo e Zilda.

Ainda no universo dos jornais e das instituições públicas, o traço de Paixão recupera a história de Abdo Aref Kudry, de bermudas e bolsa a tiracolo. Procurador do Estado e presidente por muitos anos da Associação dos Diários e Jornais do Interior do Paraná (Adjori-PR), Kudry foi retratado com base em suas memórias de infância, quando vendia jornais pelas ruas de Paranaguá aguardando a chegada do trem.


 Caricatura de Abdo Aref Kudry vestido como um jovem jornaleiro, de bermudas, meias altas e com uma bolsa tiracolo verde cheia de jornais. Ele ergue um exemplar do jornal com o braço direito em um gesto de anúncio.
Abdo Aref Kudry: das ruas de Paranaguá aos bastidores da notícia.

A defesa das leis e do saber acadêmico é representada pelo Professor René Ariel Dotti, titular da Faculdade de Direito da UFPR e fundador de um dos mais tradicionais escritórios de advocacia do estado, cujo legado jurídico segue vivo e sucedido por sua filha Rogéria Dotti. Trajado com sua clássica elegância de tribuno, o desenho captura a sobriedade de um dos maiores juristas do país.


Caricatura colorida do jurista René Ariel Dotti em pé, vestindo terno cinza clássico, colete de lã azul e gravata vermelha estampada. Ele tem as mãos nos bolsos da calça e exibe uma expressão sóbria e focada.
Professor René Dotti: a sobriedade e a elegância do Direito.

Fechamos o bloco com a arena política traduzida em um tabuleiro de xadrez. Com um sorriso irônico e peças bem específicas, Roberto Requião enfrenta o presidente Lula, retratado de costas. No lugar de peões tradicionais, os dois movem homenzinhos de boné vermelho, resumindo com precisão os históricos bastidores e articulações com os movimentos sociais no estado.


 Caricatura colorida de dois homens jogando xadrez. À esquerda, de frente, Roberto Requião sorri segurando uma peça. À direita, de costas, está a silhueta de terno escuro do presidente Lula. As peças são homenzinhos de boné vermelho.
O xadrez político: Requião e Lula movem as peças no tabuleiro do poder.

Estes retratos deixam claro que o traço de Paixão nunca foi apenas humor; sempre foi documento e história.


Fotografia colorida de primeiro plano do cartunista Ademir Paixão. Ele aparece de perfil sutil, sorrindo levemente, usando óculos de grau redondos com armação escura, um chapéu de feltro marrom claro e barba cavanhaque escura com fios grisalhos. Veste uma camisa social azul escura.
O cartunista Ademir Paixão: olhar atento e traço marcante na história gráfica do país.

Quem é Ademir Paixão?


Ademir Paixão (1953) é um dos nomes mais importantes e influentes do cartum, da charge e da caricatura no Brasil. Natural de Japira e radicado em Curitiba desde 1975, ele consolidou uma trajetória monumental no humor gráfico nacional. Ficou amplamente conhecido por sua atuação como o principal chargista das páginas da Gazeta do Povo, onde ingressou em 1986, construindo um estilo inconfundível que une o rigor técnico à ironia fina, à sensibilidade poética e à crônica visual viva do cotidiano paranaense e brasileiro.


Sua relevância ultrapassa as páginas dos jornais tradicionais. Atualmente, o artista mantém uma produção ativa e diversificada por meio do Studio Paixão, assinando grandes projetos que celebram a memória urbana e a cultura. Entre as suas atividades recentes de destaque nacional e regional, Paixão ilustrou o aclamado projeto cartográfico interativo "Vamos Pintar Curitiba" e deu vida a histórias reais em formato de animações e webséries corporativas de grande alcance institutional, como a comemoração dos 40 anos do Shopping Mueller.


Condecorado com o título de Cidadão Honorário de Curitiba, Paixão segue ativo no mercado literário e publicitário, demonstrando que o nanquim e o bico de pena continuam sendo extensões fundamentais de sua mente atenta ao mundo.


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